Autistas têm maior capacidade de processar informação

Estudo publicado no “Journal of Abnormal Psychology”

26 março 2012
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Os indivíduos com autismo têm uma maior capacidade de processar informação e apresentam também uma maior capacidade na identificação da informação definida como “crítica”, sugere um estudo publicado no “Journal of Abnormal Psychology”.

 

O autismo é um distúrbio do desenvolvimento que afeta a interação social, comunicação e, muitas vezes, a aprendizagem. No entanto, estes indivíduos apresentam uma maior capacidade em focarem a sua atenção em determinadas tarefas. Por outro lado, alguns estudos têm indicado que estes pacientes poderão ser mais sensíveis aos efeitos de estímulos irrelevantes, tais como alguns sons específicos, os quais são facilmente ignorados pelos indivíduos sem este distúrbio.

 

Nilli Lavie, do Institute of Cognitive Neuroscience, em Londres, Reino Unido, colocou a hipótese de esta combinação da capacidade de concentração e uma maior suscetibilidade à distração poderem ser causadas por um maior capacidade de processamento da informação.

 

Para testar esta hipótese os investigadores contaram com a participação de 16 indivíduos com distúrbios do espectro do autismo e 16 indivíduos saudáveis os quais foram submetidos a uma tarefa que desafiava a sua capacidade de perceção. O teste envolveu a visualização de letras que passavam rapidamente num ecrã e a identificação de algumas letras específicas. Simultaneamente, os participantes também tinham que detetar uma pequena mancha cinzenta, que ocasionalmente aparecia no ecrã.

 

Os investigadores verificaram que quando uma ou duas letras apareciam rapidamente no ecrã, os dois grupos conseguiam identificar a letra alvo e detetar a mancha cinzenta. Contudo, quanto a tarefa aumentou de dificuldade, através do aumento do número de letras, só os indivíduos autistas é que conseguiram identificar e detetar, de igual forma, o que lhes foi proposto. Quanto a tarefa aumentou ainda mais de dificuldade, estes indivíduos superaram nitidamente os participantes sem autismo.

 

De acordo com Nilli Lavie os resultados do estudo confirmaram a hipótese inicialmente colocada de que as pessoas com autismo têm maior capacidade de perceção em relação à restante população. Contudo, esta diferença é apenas notória quando as tarefas em causa têm um grau de complexidade elevado. 

 

O investigador acredita que estes resultados podem explicar o motivo pelo qual os indivíduos com distúrbios do espectro do autismo, como a síndrome de Asperger, se destacam em algumas profissões como é o caso das tecnologias de informação, as quais exigem uma grande capacidade de concentração e de processamento de uma elevada quantidade de informação que se apresenta no ecrã do computador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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