Autismo: tratamento com banhos quentes e parasitas

Estudo do Albert Einstein College of Medicine

19 dezembro 2013
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Os sintomas do autismo presentes nas crianças e adultos podem ser atenuados através de dois tratamentos invulgares: um banho quente que aumenta a temperatura corporal e mimetiza uma infeção, ou utilização de ovos de um parasita para estimular a produção de fatores imunoregulatórios, defende um estudo apresentado no encontro anual do American College of Neuropsychopharmacology.
 

Acredita-se que a hiperatividade do sistema imunológico, que resulta em elevados níveis de inflamação, pode contribuir para a melhoria das perturbações do espectro autista. Na verdade os sintomas de cerca de um terço dos indivíduos afetados por este distúrbio melhoram em resposta à febre.
 

Neste estudo, os investigadores do Albert Einstein College of Medicine, nos EUA, decidiram testar os efeitos de dois tipos de tratamentos que modificam a inflamação, nos sintomas que caracterizam este tipo de perturbações.
 

Uma vez que a febre despoleta a produção de sinais anti-inflamatórios protetores, os investigadores começaram por testar os efeitos do aumento de temperatura corporal nestes sintomas. O estudo apurou que as crianças com perturbações do espectro autista e com uma resposta anterior positiva à febre apresentaram melhorias nos comportamentos sociais quando tomaram banho diariamente com água a uma temperatura de cerca de 39°C, comparativamente com água a 36,6°C.
 

Através de utilização de um tratamento menos habitual os investigadores, liderados por Eric Hollander, submeteram adultos com perturbações do espectro autista ao tratamento com ovos de Trichuris suis. Este parasita é seguro para os humanos uma vez que não se multiplica, não é transmitido pelo contacto e é espontaneamente eliminado. Contudo, estes parasitas podem inibir a inflamação.
 

Após terem tratados os pacientes ao longo de 12 semanas, com 2500 ovos a cada duas semanas, os investigadores verificaram que houve uma melhoria nos comportamentos ritualísticos e repetitivos dos pacientes.
 

O investigador refere que esta não é a primeira vez que os ovos deste parasita têm sucesso no tratamento de doenças, especialmente aquelas associadas ao sistema imunológico, como é o caso da doença de Crohn.
 

Os achados deste estudo apoiam a hipótese da inflamação contribuir para os sintomas de autismo, pelo menos nalguns indivíduos. Os investigadores acrescentam que, apesar de estes resultados terem de ser replicados em estudos de maiores dimensões, levantam a possibilidade de abordagens desenhadas para modular a resposta imunológica poderem ser consideradas em futuros tratamentos para os pacientes com perturbações do espectro autista.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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