Autismo torna-se palavra insultuosa

Dia 2 de Abril assinalou-se o Dia Mundial de Consciencialização do Autismo

06 abril 2015
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No passado dia 2 de abril assinalou-se o Dia Mundial de Consciencialização do Autismo.
 
O autismo é uma síndrome neurocomportamental que afeta cerca de dez em cada 10 mil pessoas no mundo, mas o termo entrou no vocabulário corrente e tem sido utilizado de forma incorreta e discriminatória. Entre a classe política é, aliás, utilizado muitas vezes como um insulto.
 
A agência Lusa, numa breve pesquisa, compilou rapidamente uma série de exemplos.
 
No passado mês de março, por exemplo, numa situação que envolveu a retirada de confiança política a um presidente de uma Junta de Freguesia, a concelhia do PSD/Porto felicitava a autarquia pela atitude, mas dizia que se não houvesse consequências, seria porque estavam perante um “comportamento autista, arrogante e desrespeitador da legalidade democrática”.
 
Noutra ocasião, em fevereiro, numa análise às infraestruturas construídas na ilha da Madeira, o antigo eurodeputado Nuno Teixeira disse que “é tão autista quem afirma que tudo foi mal feito como o que afirma que não houve nada mal feito”.
 
Também o reitor da Universidade do Minho, António Cunha, usou a palavra para criticar o processo de avaliação das instituições de investigação, feita pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, descrevendo-o como uma “oportunidade perdida”, feita de uma forma “autista”.
 
Para criticar o Governo no processo de transferência do hospital para a Misericórdia, a Câmara Municipal de Santo Tirso classificou a decisão do Governo como “autista”, ao ter tomado a decisão de forma unilateral, sem ter ouvido previamente a autarquia.
 
Os autistas têm normalmente dificuldades de comunicação e de socialização. Autismo deriva da palavra grega “autós”, que significa “em si próprio”. Talvez, por isso, suspeita Isabel Cottinelli Telmo, presidente da Federação Portuguesa de Autismo (FPDA), as pessoas recorram a este termo, de forma errada, quando querem insinuar que alguém não lhes dá ouvidos ou é insensível a certas coisas. 
 
Para a responsável, o uso da palavra de forma depreciativa é não só ofensivo como um insulto a todas as pessoas que têm autismo.
 
O diretor coordenador da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) – Lisboa, chama a atenção para problemas tão ou mais graves que este da discriminação, tais como problemas relacionados com o ensino regular, em que as crianças com autismo ficam os três meses de férias sem qualquer apoio.
 
O coordenador executivo do sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa explicou que é muito frequente o recurso à deturpação de termos da área da psiquiatria e deu como exemplo, para além da palavra autista, o termo “mongoloide” ou “bipolar”, que são muitas vezes usados com valor depreciativo ou até insultuoso.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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