Autismo: supressor de memória pode ser a chave

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

17 fevereiro 2016
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Investigadores americanos demonstraram que um microARN específico tem fortes associações com vários distúrbios neuropsiquiátricos, incluindo as perturbações do espetro autista, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.


Os microARN, descobertos em 1990, são moléculas pequenas que funcionam praticamente em todas as células. Tipicamente, cada um funciona como um “regulador de intensidade” para a expressão de um ou mais genes, regulando vários processo celulares, incluindo a aprendizagem e a memória.


O microARN miR-980 funciona como supressor de memória em múltiplas regiões do cérebro da mosca da fruta, a Drosophila, a qual é muito utilizada no âmbito dos estudos de memória nos humanos.


Neste estudo, os investigadores Instituto de Investigação Scripps (TSRI, sigla em inglês) e da Universidade da Califórnia, nos EUA, decidiram averiguar o que acontecia, em termos de comportamento, quando se alterava os níveis destes microARN.


Os investigadores, liderados por Ronald L. Davis, constataram que quando diminuíam os níveis de miR-980, as moscas tinham uma melhor memória, algo que é novo e muito surpreendente. O investigador refere que este microARN regula a excitabilidade neuronal, ou seja a capacidade de as células nervosas ativarem-se, e a sua inibição conduz a um aumento da aquisição da memória e da sua estabilidade.  


Posteriormente, os investigadores tentaram descobrir quais os genes que o miR-980 regulava. Após se terem centrado em 95 genes possíveis, os autores do estudo verificaram que o miR-980 tinha por alvo e inibia um gene conhecido como A2bp1. Este gene já tinha sido previamente envolvido na suscetibilidade ao autismo e funciona, adicionalmente, na promoção da memória.


O estudo apurou que a sobrexpressão do A2bp1 melhorava a memória e que o miR-980 também afetava a memória quando era artificialmente modelado. “Isto fornece um modelo robusto para descrever a rede de genes subjacente às perturbações do espetro autista”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Tugba Guven-Ozkan.


O investigador acrescenta que a ligação deste microRNA a um gene associado à doença pode ajudar a descobrir ainda mais disfunções do sistema nervoso.


Ronald L. Davis especulou que as diferenças nas redes neuronais que se formam devido às variações dos níveis de A2bp1 podem ser responsáveis por uma vasta gama de capacidades intelectuais observadas na perturbação do espetro autista no modelo da mosca.


“Mas o facto de o A2bp1 desempenhar um papel importante no autismo e epilepsia nas pessoas dá-nos uma verdadeira ligação humana ao estudo. É muito emocionante”, conclui o investigador.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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