Autismo poderá estar associado a herpes durante a gravidez

Estudo publicado na revista “mSphere”

01 março 2017
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Um novo estudo apurou que as mulheres infetadas com herpes genital no início da gravidez apresentavam o dobro da possibilidade de terem um filho diagnosticado com perturbação do espectro do autismo (PEA).
 
Conduzido por uma equipa de investigadores do Centro para a Infeção e Imunidade da Escola de Saúde Pública Mailman da Universidade de Columbia, EUA, e do Instituto Norueguês de Saúde Pública, Noruega, o estudo foi o primeiro a demonstrar evidência imunológica sobre o papel das infeções gestacionais no autismo.
 
Para o estudo, os investigadores exploraram a associação entre as infeções maternas e o risco de autismo com base em cinco agentes patogénicos denominados TORCH: Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes, Sífilis, VIH. As mais frequentes dão o nome ao conjunto: T = toxoplasmose, O = outras, R = rubéola, C = citomegalovírus, H = herpes simples de tipos 1 e 2. Estes agentes patogénicos durante a gravidez causam anomalias congénitas.
 
A equipa analisou amostras sanguíneas de 412 mães de filhos diagnosticados com PEA e 463 mães de filhos sem o espetro. Foram recolhidas amostras na semana 18 da gravidez e na altura do parto, tendo sido analisadas relativamente aos níveis de anticorpos dos agentes TORCH.
 
Os cientistas descobriram uma associação entre os anticorpos maternos para o vírus herpes simples tipo 2 (HSV-2) e o risco de PEA nos filhos.
 
Foram identificados níveis elevados de HSV-2, e nenhum dos outros agentes, correlacionados com o risco de PEA. Esta associação só foi clara nas amostras de sangue tiradas na fase inicial da gravidez, que é a altura em que o sistema nervoso do feto se desenvolve com muita rapidez, e não no nascimento.
 
13% das mães participantes no estudo tiveram resultados positivos no teste de anticorpos contra o HSV-2 a meio da gravidez. Dessas mães, apenas 12% disseram ter tido lesões por HSV antes da gravidez ou durante o primeiro trimestre, o que poderá sugerir que a maioria das infeções foram assintomáticas.
 
Milada Mahic, investigadora no Centro para a Infeção e Imunidade e no Instituto Norueguês de Saúde Pública, explicou que “achamos que a resposta imunitária da mãe ao HSV-2 poderá perturbar o desenvolvimento do sistema nervoso central no feto, fazendo aumentar o risco de autismo”.
 
W. Ian Lipkin, autor sénior do estudo e diretor do Centro para a Infeção e Imunidade comentou que “a causa ou causas da maioria dos casos de autismo são desconhecidas”. Relativamente aos achados, o investigador disse que “a evidência sugere um papel dos fatores genéticos e ambientais. O nosso trabalho sugere que a inflamação e a ativação imune poderão contribuir para o risco. O vírus herpes simples de tipo 2 poderá ser um dos agentes infeciosos envolvidos”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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