Autismo pode ser diagnosticado através de testes olfativos?

Estudo publicado na revista “Current Biology”

07 julho 2015
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Os indivíduos com transtorno do espetro autista não fazem um ajuste do controlo do fluxo de ar que estão inalar quando estão perante odores, agradáveis ou desagradáveis. O estudo publicado na revista “Current Biology” sugere que testes relacionados com o odor poderiam ser um indicador precoce da doença.
 

“A diferença entre o padrão de olfato tipicamente desenvolvido pelas crianças saudáveis e crianças com autismo é simplesmente esmagadora”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Noam Sobel.
 

Estudos anteriores já tinham indicado que os indivíduos com autismo apresentavam deficiências em áreas cerebrais responsáveis pela coordenação dos sentidos e das ações. Contudo, não estava claro se estas deficiências apareceriam num teste de resposta à inalação.
 

Neste estudo os investigadores do Instituto de Ciência de Weizmann, em Israel, expuseram 18 crianças com transtorno do espetro autista e 18 crianças saudáveis, com uma média de 7 anos de idade, a odores agradáveis e desagradáveis, tendo sido medidas as respostas à inalação. Verificou-se que as crianças saudáveis ajustavam a sua inalação nos 305 milissegundos após inalarem o odor. No entanto, as crianças com autismo não tinham este tipo de resposta.
 

Esta diferença na resposta à inalação foi suficiente para classificar corretamente as crianças com e sem diagnóstico de transtorno do espetro autista, em 81% dos casos. Quanto maior era a discrepância da resposta, maior era a severidade dos sintomas, com base nos problemas sociais e não motores.
 

Estes achados sugerem que o teste de olfato poderia ser bastante útil na prática clínica, apesar de este ainda não estar pronto para ser utilizado.
 

“Podemos identificar o autismo e a sua severidade com uma precisão significativa em menos de 10 minutos utilizando um teste que é completamente não-verbal e não implica nenhuma tarefa a seguir. Isto traz esperança de que estes achados podem estar na base do desenvolvimento de uma ferramenta de diagnóstico que pode ser aplicada precocemente, como em crianças de poucos meses. Esse diagnóstico precoce permitirá uma intervenção mais precoce”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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