Autismo: o impacto dos lípidos no desenvolvimento cerebral

Estudo publicado na revista “Cell Communication and Signaling”

11 abril 2014
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A alteração dos níveis de moléculas lipídicas no cérebro pode afetar a interação entre duas vias neuronais importantes no início do desenvolvimento cerebral pré-natal, que pode despoletar o autismo. O estudo publicado na “Cell Communication and Signaling” refere ainda que a exposição aos químicos presentes em alguns cosméticos e fármacos podem afetar os níveis destes lípidos.
 

Os investigadores da Universidade de York, nos EUA, constataram que os níveis anormais de prostaglandina E2 (PGE2) no cérebro podem afetar a função das proteínas Wnt. “Isto é importante uma vez que pode afetar o curso do desenvolvimento embrionário”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Dorota Crawford.
 

Através da utilização de um microscópio com captura de imagens em tempo real, os investigadores constataram que quando em níveis elevados, a PGE2 é capaz de alterar o comportamento das células estaminais, via Wnt, aumentando a migração celular ou a proliferação. Consequentemente isto pode afetar o modo como o cérebro está organizado.
 

Adicionalmente, foi verificado que os níveis elevados da PGE2 também aumentavam a expressão de genes que já tinha sido anteriormente associados ao autismo.
 

O autismo é considerado a principal doença do desenvolvimento cerebral com sintomas que variam de leves a graves e incluem comportamentos repetitivos, baixa interação social e problemas de linguagem. De acordo com o Centro para o Controlo e Prevenção das Doenças (CDC, sigla em inglês) dados de 2010 estimam que uma em cada 68 crianças seja afetada por esta condição.  
 

De acordo coma literatura parece ser cada vez mais evidente que os fatores ambientais parecem ter um grande impacto nos genes vulneráveis, particularmente na gravidez.
 

Dorota Crawford refere que os genes não sofrem grandes alterações ao longo da evolução; Assim, apesar de os fatores genéticos serem a principal causa, os fatores ambientais como o consumo insuficiente de ácidos gordos, a exposição a infeções, a químicos ou a fármacos podem alterar a expressão dos genes e contribuir consequentemente para o desenvolvimento do autismo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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