Autismo: novos biomarcadores

Estudo publicado no “JAMA Psychiatry”

26 abril 2016
  |  Partilhar:
Investigadores americanos desenvolveram um novo método para mapear e monitorizar a função dos circuitos cerebrais afetados pelas perturbações do espectro autista em rapazes utilizando imagens cerebrais, refere um estudo publicado no “JAMA Psychiatry”.
 
A técnica irá fornecer aos médicos e aos terapeutas uma medida física dos progressos que os pacientes estão a fazer através dos tratamentos comportamentais e/ou farmacológicos.
 
Os investigadores da Universidade de George Washington, nos EUA, analisaram 164 imagens cerebrais de 114 indivíduos e descobriram que as ressonâncias magnéticas de circuitos de perceção social apenas eram indicadoras das perturbações do espectro autista nos rapazes. Esta nova descoberta tem o potencial de melhorar o tratamento das perturbações do espectro autista ao medir alterações do circuito cerebral da perceção social em resposta a diferentes intervenções. Os autores do estudo constataram que os dados da ressonância magnética podem ser um indicador eficaz da função do circuito nas crianças pequenas e nos idosos.
 
O estudo é particularmente importante para os pacientes com perturbações do espectro autista que são difíceis de diagnosticar e tratar ao fornecer um diagnóstico mais definitivo. Este pode ser também útil no desenvolvimento de um programa de tratamento quando não é claro se serão mais eficazes os tratamentos comportamentais, farmacológicos ou a combinação dos dois.
 
Os sintomas das perturbações do espectro autista são tão complexos e variados que é difícil determinar se um novo tratamento está a ser eficaz e especialmente dentro de um tempo realista. “Os marcadores da função cerebral podem fornecer medidas específicas e objetivas necessárias para cobrir esta falha”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Malin Björnsdotter.
 
Na opinião dos investigadores, este estudo, para além de ajudar a identificar o tratamento mais eficaz para um indivíduo, fornece também evidências de que as imagens do cérebro são uma ferramenta de intervenção importante. 
 
Atualmente a ressonância magnética funcional, o tipo de ressonância utilizada neste estudo, não faz parte do tratamento convencional das perturbações do espectro autista, uma vez que ainda não existem evidências suficientes que associem a ressonância a tratamentos eficazes.
 
Kevin Pelphrey, um dos coautores do estudo, acredita que este tipo de imagens pode ajudar a responder a questões como: “desde o primeiro dia de tratamento, será que esta criança irá beneficiar de uma intervenção comportamental de 16 semanas?”.
 
“A resposta a esta pergunta vai ajudar os pais a poupar tempo e dinheiro no diagnóstico e tratamento”, acrescentou o investigador.
 
Os cientistas esperam, numa próxima etapa da investigação, testar esta técnica num grupo de maiores dimensões para verificar se esta é capaz de distinguir as perturbações do espectro autista de outras doenças neurológicas. 
 
Uma vez que este método apenas funciona nos rapazes com autismo, os investigadores esperam identificar outras técnicas equivalentes que funcionem para as raparigas com autismo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.