Autismo nas mulheres é mal diagnosticado

Resultados do projeto 'Autism in Pink'

15 maio 2014
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As mulheres com autismo são frequentemente mal e tardiamente diagnosticadas, o que faz com que não sejam apoiadas a tempo, dá conta um estudo internacional.
 

O projeto denominado 'Autism in Pink', que decorreu ao longo de quatro anos, foi coordenado pela Sociedade Nacional de Autismo do Reino Unido e teve a participação das organizações Edukacinai Projektai, da Lituânia, a Autismos Burgos, da Espanha, e a Federação Portuguesa de Autismo.
 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que o principal objetivo deste projeto foi estudar as mulheres com autismo, as suas necessidades e competências, ajudando-as a ultrapassar as suas dificuldades.
 

No decorrer do projeto foi constatado que, por norma, os diagnósticos são feitos de forma tardia nas mulheres, algo provavelmente explicado pelo facto de esta ser uma doença que afeta maioritariamente os homens.
 

De acordo com a investigadora da Sociedade Nacional de Autismo do Reino Unido, Judy Gould, o diagnóstico tardio é consequência da "natureza escondida" do autismo entre as mulheres, defendendo, por outro lado, que o diagnóstico é o ponto de partida para dar o apoio adequado e necessário a estas mulheres.
 

Judy Gould revela que um diagnóstico atempado "pode evitar as dificuldades que as mulheres e raparigas sofrem durante a sua vida", ao mesmo tempo que ajuda na avaliação das necessidades ao nível da educação, lazer, residência, relações sociais ou emprego.
 

A investigação mostrou que "o estereótipo masculino ensombrou o problema do diagnóstico" feminino e revelou também que enquanto os rapazes autistas são mais hiperativos e agressivos, as raparigas são mais passivas e recolhem mais informação das pessoas do que das coisas.
 

"Os sistemas correntes não dão exemplos dos tipos de dificuldades mostrados pelas raparigas e mulheres e não são bons para reconhecer os sintomas do autismo nas raparigas e mulheres", uma vez que "os métodos usados para diagnosticar estão desviados para a apresentação masculina da condição", revela a investigação.
 

O 'Autism in Pink' mostrou que as mulheres com autismo, que são mais competentes para "cumprir ações sociais por imitação atrasada", são mais conscientes e sentem necessidade de interagir socialmente. Por outro lado, são socialmente mais imaturas e passivas do que as colegas sem autismo, na escola primária são mais "protegidas" pelas colegas, mas são normalmente vítimas de 'bullying' na escola secundária.

 

As raparigas "têm capacidades linguísticas superiores à dos rapazes", mas têm pouco conhecimento da hierarquia social e de como comunicar com pessoas de diferente estatuto. Elas "têm melhor imaginação" e "mais capacidade de jogo simbólico", mas às vezes têm dificuldade em separar a realidade da ficção.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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