Autismo: intervenção precoce regula atividade cerebral

Estudo publicado na “American Academy of Child & Adolescent Psychiatry”

30 outubro 2012
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Um novo tipo de terapia de intervenção é capaz de aumentar a capacidade de linguagem e a função cognitiva de crianças autistas com menos de 18 meses de idade. O estudo publicado na “American Academy of Child & Adolescent Psychiatry” refere ainda que este tipo de intervenção pode ajudar a melhorar a capacidade de comunicação das crianças, a diminuir os sintomas de autismo e ajudar a melhorar o funcionamento da sua atividade cerebral.
 

Segundo o Centro de Controlo e prevenção de Doenças, nos EUA, uma em cada oitenta e oito crianças é diagnosticada com perturbações do espetro do autismo. Estas crianças apresentam frequentemente problemas de socialização, comunicação e têm comportamentos repetitivos.
 

Neste estudo, os investigadores do UC Davis MIND Institute, nos EUA, contaram com a participação de 48 crianças com idades compreendidas entre os 18 e os 30 meses de idade que tinham sido diagnosticadas com autismo. Foi verificado que os meninos eram cinco vezes mais propensos a ser diagnosticados com este tipo de disfunção do desenvolvimento do que as meninas.
 

Cerca de 50% dos participantes foram submetidos a uma nova terapia de intervenção, denominada por Early Start Denver Model (ESDM), durante 20 horas por semana, ao longo de dois anos. Os pais das crianças foram ensinados a fazer esta terapia, o que segundo os autores é uma parte importante da intervenção. A outra metade das crianças foi submetida a intervenções baseadas na comunidade, tendo também recebido referências, avaliações, manuais e várias fontes de leitura.
 

Após a finalização do estudo, os investigadores monitorizaram a atividade cerebral das crianças através de um encefalograma. Com o auxílio deste procedimento foi possível avaliar a atividade do cérebro dos participantes enquanto estes visualizavam estímulos sociais como, faces de pessoas e estímulos não sociais como é o caso de brinquedos.
 

Estudos anteriores tinham constatado que, contrariamente às crianças autistas, as crianças saudáveis apresentavam uma maior atividade cerebral quando visualização estímulos sociais em comparação com os não sociais.
 

O estudo apurou que as crianças que foram submetidas à terapia ESDM eram duas vezes mais propensas a apresentar uma maior atividade cerebral quando visualizavam faces, o que sugere que estas crianças tinham uma atividade cerebral normal. Foi também constatado que 73% as crianças que foram submetidas a esta terapia apresentavam uma maior atividade cerebral quando visualizavam faces humanas, do que quando lhes era mostrado brinquedos. Do mesmo modo, 71% das crianças saudáveis tinham o mesmo tipo de comportamento cerebral.
 

Por outro lado, os autores dos estudos verificaram que 64% dos participantes submetidos às intervenções baseadas na comunidade apresentavam um padrão autista, ou seja, a atividade cerebral era maior aquando da visualização de brinquedos do que quando viam faces humanas. Apenas 5% destas crianças apresentavam uma atividade cerebral normal.
 

As crianças submetidas à terapia ESDM que apresentaram as maiores atividades cerebrais durante a visualização de faces também demonstraram ter melhores capacidades sociais e de comunicação. A utilização desta terapia resultou assim num aumento da função cognitiva, capacidades de socias e de linguagem.
 

“Os pais podem pela primeira vez verificar que uma intervenção precoce pode alterar o curso do desenvolvimento do cérebro e do comportamento das crianças. É fundamental que todas as crianças com autismo tenham acesso à uma intervenção precoce a qual pode, a longo prazo, promover resultados muito positivos”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Geraldine Dawson.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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