Autismo: identificado o marcador mais precoce

Estudo publicado na revista “Nature”

11 novembro 2013
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O contacto visual durante a infância pode ser a chave para a identificação precoce do autismo, de acordo com um estudo publicado na revista “Nature”.
 

“O autismo não é habitualmente diagnosticado até aos dois anos de idade, quando os atrasos no comportamento social e na linguagem são evidentes. Este estudo mostra que as crianças apresentam sinais evidentes de autismo muito mais cedo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Thomas R. Insel.
 

As crianças começam tipicamente a focar os rostos das pessoas nas primeiras horas de vida. Contudo, as crianças com autismo não apresentam este tipo de interesse no contacto visual. De facto, a falta deste tipo de contacto é uma das características do diagnóstico desta doença.
 

De forma a determinar como esta falta de contacto visual emerge nas crianças com autismo, os investigadores do Centro Marcus de Autismo e da Escola de Medicina da Universidade de Emory, nos EUA, acompanharam crianças desde o nascimento até aos três anos de idade. Os participantes foram divididos em dois grupos, tendo por base o seu risco de desenvolvimento de doenças do espectro autista.
 

No estudo foi utilizado um equipamento para medir os movimentos oculares das crianças à medida que estas visualizavam vídeos que continham imagens dos seus pais. Foi calculada a percentagem de tempo em que cada criança fixava os olhos, boca e corpo dos pais, bem como noutras imagens não humanas
 

Aos três anos, a maioria das crianças foi diagnosticada com autismo. Posteriormente os investigadores analisaram os dados obtidos, para determinar que fatores diferenciavam as crianças que tinham sido ou não diagnosticadas com a doença.
 

O estudo apurou que as crianças com autismo apresentavam um declínio no tempo em que fixavam os olhos da mãe. Esta diminuição de contacto visual tinha início entre os dois e os seis meses de idade, tendo continuado ao longo do estudo. Aos 24 meses e comparativamente com as crianças saudáveis, as com autismo apenas se focavam metade do tempo nos olhos dos pais.
 

Este declínio de atenção foi algo que surpreendeu os investigadores. Contrariamente à crença já há muito estabelecida, estes resultados sugerem que capacidades sociais não estão intactas logo após o nascimento das crianças com autismo.
 

Se os médicos conseguissem identificar este tipo de marcador do autismo nas crianças pequenas, talvez fossem capazes de manter, com mais êxito, o desenvolvimento social destas crianças.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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