Autismo, hiperatividade e perturbação obsessivo-compulsiva: o que têm em comum?

Estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”

02 agosto 2016
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Investigadores do Canadá encontraram semelhanças nas incapacidades cerebrais em crianças com perturbações do espectro autista, perturbação de hiperatividade com défice de atenção (HDA) e perturbação obsessivo-compulsiva, revela um estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”.
 
Para o estudo, os investigadores do Centro para a Adição e Saúde Mental, no Canadá, avaliaram imagens cerebrais da substância branca de 200 crianças com autismo, HDA e perturbação obsessivo-compulsiva. A substância branca é composta por feixes de fibras nervosas que ligam os corpos celulares em todo o cérebro, e permite a comunicação entre diferentes regiões do cérebro.
 
Os investigadores encontraram, comparativamente com as crianças saudáveis, deficiências na substância branca no trato principal, que liga os hemisférios direito e esquerdo do cérebro das crianças com autismo, HDA e perturbação obsessivo-compulsiva. Este trato, o corpo caloso, é o maior no cérebro e é dos primeiros a desenvolver-se.
 
O estudo, liderado por Evdokia Anagnostou, também apurou que as crianças com autismo e HDA apresentavam deficiências mais graves que afetavam mais a substância branca, do que aquelas com perturbação obsessivo-compulsiva. 
 
Stephanie Ameis, a primeira autora do estudo, refere que estes achados podem refletir o facto de tanto o autismo como a HDA terem início em idades mais precoces do que a perturbação obsessivo-compulsiva, num altura em que vários dos diferentes tratos da substância branca passam por um rápido desenvolvimento.
 
O autismo, a HDA e a perturbação obsessivo-compulsiva têm sintomas comuns e estão ligadas por alguns dos mesmos genes. No entanto, até à data, estas condições, que afetam cerca de 15% das crianças e jovens, têm sido estudadas como doenças separadas.
 
Muitos dos comportamentos que contribuem para a deficiência no autismo, HDA e perturbação obsessivo-compulsiva, como problemas de atenção e dificuldades na socialização, ocorrem nas três condições, sendo que a sua gravidade depende de indivíduo para indivíduo. No estudo, os investigadores verificaram que a estrutura da substância branca estava associada a um espectro de sintomas comportamentais presente em todos estas condições. 
 
A cientista refere que as crianças com deficiências mais graves também apresentavam mais dificuldades na vida quotidiana. 
 
Ao fornecer evidência biológica de que a estrutura do cérebro está relacionada com um espectro de sintomas comportamentais comuns a diferentes condições do desenvolvimento, este estudo realça a biologia comum a estas condições. Estas evidências também sugerem que os tratamentos que tenham por alvo um espetro de comportamentos podem ser relevantes para as três condições.  
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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