Autismo: famílias gastam o dobro daquilo que recebem

Alerta da Federação Portuguesa de Autismo

03 abril 2014
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As famílias das crianças com autismo gastam por mês uma média de 371 euros em produtos e terapias, mas apenas recebem metade desse valor em apoios sociais, alerta a Federação Portuguesa de Autismo.
 

Este é um dos dados apurados pelo estudo “Qualidade de Vida das famílias com crianças e jovens com perturbações do espectro do autismo em Portugal: Diagnóstico e impactos sociais e económicos” realizado entre setembro e dezembro de 2013 e ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

O estudo demonstrou que as famílias inquiridas gastam em média por mês 371 euros em produtos e/ou recursos/terapias especificas para a problemática do autismo.
 

“Cerca de metade dos inquiridos apresenta custos mensais totais inferiores a 200 euros e quase 80% não tem custos superiores a 500 euros por mês”, refere a Federação Portuguesa de Autismo (FPDA).
De acordo com a FPDA, as terapias em geral representam o custo mais elevado face aos restantes produtos, fazendo com que as famílias despendam mensalmente um valor médio que ronda os 258 euros.
 

No entanto, “a média de valores mensais do conjunto das prestações sociais atribuídas e transferidas para o orçamento das famílias é de 129 euros, o que equivale a metade daquilo que as famílias inquiridas dizem em média gastar”.
 

Assim isto explica por que motivo 90% das famílias que responderam ao inquérito digam que este é um valor pouco ou muito pouco adequado face às despesas que a família tem com a reabilitação da criança ou jovem.
 

Por outro lado, as perturbações do espectro do autismo mostraram ter um impacto considerável ao nível do emprego, havendo 23% das famílias que optaram por trabalhar a tempo parcial para poderem cuidar dos filhos e outras 70% que admitiram que o nascimento e o diagnóstico do filho originou uma quebra na progressão na carreira.
 

O estudo revela igualmente que a patologia trouxe alterações nas dinâmicas familiares de lazer, já que as famílias revelaram raramente ir a espetáculos, optando por ficar mais em casa. Consequentemente, visitam menos os amigos e frequentam espaços públicos com menos frequência.
 

O estudo mostrou que o autismo incide maioritariamente nos homens, havendo uma rapariga para cada cinco rapazes. Raramente (3%) existem casos de mais do que uma criança com autismo na mesma família e uma em cada cinco crianças revelam ter outras patologias associadas, sendo a mais comum a epilepsia.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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