Autismo está associado a falta de zinco no início do desenvolvimento

Estudo publicado na revista “Frontiers in Molecular Neuroscience”

13 novembro 2018
  |  Partilhar:
Uma equipa de investigadores descobriu uma ligação mecanicista entre o zinco, os genes envolvidos no risco de autismo e ligações neuronais anormais associadas às perturbações do espetro do autismo (PEA).
 
Num estudo conduzido pelos investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, EUA, foi demonstrado que o zinco modela as sinapses, zonas ativas de contacto entre os neurónios que se formam no período inicial do desenvolvimento, através de uma maquinaria molecular, complexa, codificada pelos genes de risco do autismo.     
 
“O autismo está associado a variantes específicas de genes envolvidos na formação, maturação e estabilização das sinapses durante o início do desenvolvimento”, explicou Sally Kim, autora sénior do estudo.
 
A equipa descobriu que quando um sinal é transferido através de uma sinapse, o zinco penetra no neurónio alvo e pode ligar-se a duas das três proteínas Shank: Shank 2 e Shank 3. Intracelularmente, o zinco, ao ligar-se a essas proteínas, resulta em mutações que, por seu turno, originam alterações na composição e função (“maturação”) de recetores de sinais adjacentes conhecidos como AMPAr – recetores do ácido α-amino-3-hidroxi-5-methil-4-isoxosol-propiónico.
 
A equipa descobriu que quando um sinal é transferido através de uma sinapse, o zinco penetra no neurónio alvo. Os recetores AMPAr estão envolvidos na maior parte da neurotransmissão excitatória do sistema nervoso central (SNC) e em aspetos da função cerebral, como a aprendizagem, memória e aspetos cognitivos à superfície do neurónio na sinapse.
 
“De acordo com desenvolvimentos em ratos, descobrimos que as Shank 2 e 3 complexadas com zinco, medeiam a maturação dos AMPAr situados na porção pós-sináptica. Verificou-se assim que a estabilidade sináptica das Shank 2 e 3 é altamente regulada pela presença do zinco, levando à formação de complexos proteicos pós-sinápticos e aumento da força excitatória dessa sinapse ao implicar um aumento da expressão desses recetores, comprovada com o aumento do Zinco e não pela diminuição de Shank 2 e 3”, afirmou Huong Ha, autora que liderou este estudo. 
 
“O nosso estudo demonstra ainda, de forma mecanicista, a Shank 2 e 3 a trabalharem em conjunto com o zinco para regular a maturação dos AMPAr, que é um passo-chave no desenvolvimento”, esclareceu. Isto significa que o zinco modela as propriedades das sinapses em desenvolvimento através das proteínas Shank, explicaram os investigadores.
 
“Isto sugere que a falta de zinco no período inicial de desenvolvimento poderá contribuir para o autismo através da maturação sinática e formação de circuitos neuronais deficientes”, conclui John Hughenard, coautor sénior do estudo.
 
“Perceber a interação entre o zinco e as proteínas Shank poderá assim conduzir a estratégias de diagnóstico, tratamento e prevenção do autismo”, acrescentou, sublinhando que não se sugere a suplementação com zinco para prevenir o autismo. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar