Autismo e problemas de coordenação motora: possível causa identificada

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

26 novembro 2014
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Investigadores americanos identificaram falhas num circuito neuronal que poderão estar associadas aos problemas de coordenação motora tipicamente observados nas crianças com autismo, revela um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Estima-se que cerca de 80% das crianças com autismo apresente problemas de coordenação. Uma vez que a causa destes problemas ainda é pouco conhecida, os investigadores da Universidade de Chicago, nos EUA, utilizaram um modelo de ratinho para uma das alterações genéticas mais comuns no autismo, a duplicação cromossómica 15q11-13. O estudo focou-se também no cerebelo, uma área do cérebro envolvida no controlo do movimento.
 

Os investigadores verificaram que os ratinhos com autismo tinham cerebelos similares aos ratinhos controlo, mas apresentavam problemas na aprendizagem de determinados movimentos. De forma a tentar perceber qual a causa destes problemas, os investigadores analisaram um tipo de neurónios envolvidos na aprendizagem motora, as células de Purkinje.
 

Este tipo de células pode fortalecer ou enfraquecer as sinapses, que são pontos-chave para a transmissão de sinais entre os neurónios. Esta capacidade é um dos mecanismos primários envolvidos na aprendizagem e memória, uma vez que permite que as vias neuronais sejam reforçadas ou enfraquecidas.
 

Os investigadores verificaram que nos ratinhos com autismo, a capacidade de as células de Purkinje diminuírem as suas sinapses estava reduzida. Isto afetava a sua capacidade de afinar os movimentos e contribuir para a aprendizagem motora. O estudo apurou que a causa provável deste estado envolvia alterações na “poda” das sinapses, um processo que envolve a eliminação de sinapses desnecessárias à medida que o cérebro se desenvolve.
 

“O autismo é muitas vezes descrito como uma síndrome intensa, com ligações excitatórias em elevado número e demasiado fortes. Assim, estes resultados podem ajudar a esclarecer este fenómeno”, conclui o líder do estudo, Christian Hansel.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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