Autismo e o nível de mercúrio no corpo

Investigação relaciona doença a metal tóxico

22 junho 2003
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As crianças autistas desenvolveram a doença devido a uma dificuldade em processar o mercúrio, um metal tóxico, revela uma nova investigação.
 

 

Cientistas norte-americanos analisaram o nível de mercúrio no cabelo de crianças que, mais tarde, se tornaram autistas. Descobriram, então, que os cabelos dessas crianças tinham um nível de mercúrio muito mais baixo do que os das outras que não sofriam da doença.
 

 

O motivo do baixo nível de mercúrio nos cabelos, segundo os cientistas, pode se dever ao facto de que as crianças autistas não conseguiram usar o mercúrio de modo adequado ou tiveram dificuldade em expelir o metal do corpo.
 

 

O autismo afecta a maneira como alguém se comunica e interage com outras pessoas. Há já alguns anos que os cientistas suspeitam de que o mercúrio tinha ligação com o autismo.
 

 

Um grupo de pais do Canadá e dos Estados Unidos da América apresentaram uma queixa crime contra as autoridades de saúde por acreditarem que o timerosal, uma substância que tem como base o mercúrio e é usada em vacinas, pode ter sido o responsável pelo autismo dos seus filhos.
 

 

No entanto, especialistas mundiais dividem-se sobre a existência de uma ligação entre mercúrio e autismo. Alguns dizem que é preciso haver mais estudos antes de se estabelecer essa relação. Outros, como Amy Holmes, de Louisiana (sul dos EUA), que chefiou esta última investigação, acreditam que há correspondência.
 

 

Holmes recolheu amostras de cabelo de crianças com 18 meses de idade. Dessas crianças, 94 foram diagnosticadas mais tarde como autistas. Outras 45 não sofriam da doença. O nível médio de mercúrio no cabelo das crianças autistas era de 0,47 parte por milhão, comparado com 3,63 partes por milhão nas outras crianças. E quanto mais grave era a condição da criança, menor era o nível de mercúrio no cabelo.
 

 

As crianças receberam a maior parte do mercúrio das próprias mães, que tomaram injecções contendo timerosal ou comeram muito peixe. No grupo de crianças não-autistas, os níveis de mercúrio foram maiores se a exposição das suas mães ao metal foi maior. Mas os níveis no cabelo das crianças autistas eram baixos mesmo quando a exposição da mãe era alta.
 

 

Os investigadores dizem que uma explicação pode ser o facto de que o organismo das crianças autistas não consegue usar o metal de modo adequado.
 

 

Então, concluem os investigadores, as crianças poderiam ser deficientes também em metais necessários para o desenvolvimento do cérebro, como o zinco, ferro e cobre.
 

Os cientistas sugerem também que algumas crianças, por exemplo, podem ter problemas para expelir o mercúrio. A maioria dos metais é eliminada através da urina e das fezes.
 

 

Entretanto, os cientistas sugerem que a falta de mercúrio no cabelo das crianças poderia ocorrer devido ao facto de o metal estar retido nas células, em vez de chegar ao sangue.
 

 

Um porta-voz da Sociedade Nacional sobre o Autismo do Reino Unido afirmou à BBC que «as descobertas deste estudo são intrigantes e encorajam futuras investigações sobre os factores que causam essa complexa desordem».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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