Autismo e cancro partilham genes de risco

Estudo publicado na revista “Trends in Genetics”

06 maio 2016
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O autismo e o cancro partilham mais de 40 genes de risco, sugerindo que os mecanismos comuns das funções de alguns destes genes poderiam ser aproveitados para o desenvolvimento de terapias para estas duas doenças, atesta um estudo publicado na revista “Trends in Genetics”.
 
No estudo, os investigadores do Instituto MIND e Centro Compreensivo de Cancro UC Davis, nos EUA, identificaram 43 genes específicos associados à suscetibilidade ao autismo, bem como ao cancro.
 
O autismo, tal como o cancro, envolve uma vasta gama de causas, sintomas e resultados. Os investigadores constataram que entre as dezenas de genes envolvidos no autismo e cancro encontram-se genes de síndromes relativamente raras, como a síndrome de Rett e esclerose tuberosa, cujos pacientes apresentam vários sintomas físicos e neurológicos, incluindo deficiência mental, bem como défices de comunicação caracterizados como autismo.
 
Mas, afinal, o que têm em comum a proliferação de células tumorais e a formação das sinapses e desenvolvimento cerebral? 
 
Wolf-Dietrich Heyer, um dos autores do estudo, explica que os erros associados à manutenção do genoma durante a vida fetal podem ocorrer em períodos de tempo críticos para o desenvolvimento do cérebro, resultando em perturbações do desenvolvimento neurológico. Por outro lado, os erros mais comuns ocorrem durante a vida adulta em tipos de células suscetíveis aos tumores.
 
A líder do estudo, Janine M. LaSalle, acrescenta que os genes que codificam proteínas nucleares envolvidas em funções epigenéticas são frequentemente partilhados entre o cancro e as perturbações do espectro do autismo, implicando a importância da regulação de genes mutados em ambos os estados de doença.
 
"Pode ser possível reaproveitar medicamentos contra o cancro disponíveis, com perfis de segurança razoáveis, como tratamentos direcionados para as perturbações do espectro do autismo. Estratificar os indivíduos com perturbações do espectro do autismo que apresentam um gene de risco para o autismo, que também é um gene de risco para o cancro, pode permitir o desenvolvimento terapêutico de medicamentos personalizados com base na mutação causal específica”, concluíram os autores do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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