Autismo: descoberta a nível do desenvolvimento do cérebro

Estudo publicado no “Biological Psychiatry”

13 abril 2015
  |  Partilhar:
Neurocientistas da Universidade do Estado de San Diego (UESD), EUA, descobriram que as ligações entre o córtex cerebral e o cerebelo de crianças e adolescentes com condições do espetro do autismo aparentam estar sobredesenvolvidas nas regiões sensorimotoras do cérebro. Este sobredesenvolvimento, por seu lado, parece estar a ocupar o espaço do cérebro que é utilizado em ligações que servem funções cognitivas mais elevadas.
 
Há várias décadas, foram reportados achados que indicavam que determinadas regiões do cerebelo (área do cérebro envolvida em funções motoras, mas também em funções cognitivas, sociais e emocionais) eram mais pequenas em pessoas com autismo. No entanto, apesar da intensificação da investigação para perceber melhor o papel dessa região no autismo, as expectativas iniciais de uma grande descoberta nunca se cumpriram. 
 
Ainda assim, cientistas da UESD decidiram retomar a investigação nessa área, confiantes de que os avanços nas tecnologias associadas à análise imagiológica do cérebro pudessem revelar novas informações.
 
Para tal, os investigadores contaram com a participação de 56 crianças e adolescentes, metade dos quais com autismo. A todos foi-lhes pedido que fixassem um determinado ponto e que tentassem não pensar em nada em particular. Foi utilizada ressonância magnética funcional para analisar os cérebros dos participantes, enquanto estes produziam atividade cerebral espontânea com o objetivo de tentar captar os padrões neuronais de base.
 
Os resultados imagiológicos revelaram que os participantes com autismo apresentavam uma ligação neuronal mais forte entre as regiões sensorimotoras do cerebelo e o córtex cerebral, em comparação com aqueles que não tinham essa condição. Por outro lado, os indivíduos com autismo apresentavam menor ligação entre as regiões envolvidas em funções cognitivas mais elevadas, como a tomada de decisão, a atenção ou a linguagem.
 
De acordo com os investigadores, as ligações entre o córtex cerebral e o cerebelo desenvolvem-se durante os primeiros anos de vida, quando o cérebro de uma criança com autismo aumenta mais de volume do que o das restantes crianças. As ligações que irão servir as funções cognitivas mais elevadas apenas se desenvolvem mais tarde.
 
Ralph-Axel Müller, um dos autores do estudo, revela que os achados desta investigação “sugerem que as ligações sensorimotoras que se desenvolvem primeiro se encontram representadas em elevado grau no cerebelo às custas de funções cognitivas mais elevadas, em crianças com autismo”.
 
“Quando as funções cognitivas mais elevadas começam a ser ativadas, muitas das ligações já se encontram especializadas. Se uma determinada parte do cérebro já se encontrar funcionalmente ativa num determinado domínio, poderá não haver razão para o cérebro mudá-la para outro domínio mais tarde”, esclarece.
 
Estes achados poderão ajudar investigadores e médicos a compreender melhor de que forma anomalias que ocorrem durante o processo de desenvolvimento do cérebro poderão dar origem a diferentes tipos de autismo. 
 
Müller e a sua equipa esperam que a sua investigação possa não só contribuir para um possível diagnóstico do autismo baseado na análise ao cérebro, como ainda constituir um passo no sentido de identificar os vários subtipos de autismo e dos fatores genéticos subjacentes. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.