Autismo: aos seis meses é possível detetar alterações no cérebro

Estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”

22 fevereiro 2012
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Aos seis meses de idade é possível detetar, através de uma ressonância magnética, alterações no desenvolvimento do cérebro das crianças que desenvolvem autismo anos mais tarde, sugere um estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”.

 

“Esta é uma descoberta prometedora”, revelou em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Jason J. Wolff. “Neste momento, é um preliminar e importante passo para o desenvolvimento de um biomarcador de risco que melhoraria a capacidade de diagnosticar o autismo”.

 

Para o estudo os investigadores do Carolina Institute for Developmental Disabilities, University of North Carolina, nos EUA, contaram com a participação de 92 crianças que tinham irmãos mais velhos com autismo e eram assim considerados de alto risco de também desenvolver a doença. Todos os participantes foram submetidos, aos seis meses, a um determinado tipo de ressonância magnética e os seus comportamentos foram avaliados aos 24 meses. A maioria das crianças tinha também realizado ressonâncias magnéticas aos 12 e aos 24 meses de idade.

 

Aos 24 meses, 28 crianças (30%) apresentavam os critérios de distúrbio do espectro autista, enquanto que 64 (70%) não preenchiam estes critérios. Os dois grupos deferiam no desenvolvimento dos tratos  das fibras  da substância branca - vias que ligam as diferentes regiões cerebrais – medidas por anisotropia fracional (FA). A FA mede a organização e o desenvolvimento da substância branca, através do movimento das moléculas de água no tecido cerebral.

 

O estudo revelou que as trajetórias FA eram diferentes, nas crianças que desenvolveram autismo e nas que não desenvolveram  a doença. As crianças que desenvolveram autismo apresentavam valores de FA elevados aos seis meses que diminuíram ao longo do tempo. Aos 24 meses, as crianças com autismo apresentavam valores menores de FA do que as crianças que não apresentavam a doença. Na opinião de Jason J. Wolff, “estes resultados sugerem que o autismo é um fenómeno que afeta o cérebro todo e não uma região em particular”.

De acordo com os autores do estudo, estes resultados também sugerem que o autismo não surge repentinamente, é uma doença que se desenvolve ao longo da infância. ”Isto aumenta as possibilidades de interromper o processo através de intervenções dirigidas”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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