Autismo: algumas crianças perdem sintomas com a idade

Estudo publicado no “Journal of Child Psychology and Psychiatry”

18 janeiro 2013
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Algumas crianças diagnosticadas com autismo no início da adolescência deixam de ter sintomas à medida que crescem, sugere um estudo publicado no “Journal of Child Psychology and Psychiatry”.
 

Neste estudo os investigadores da University of Connecticut, nos EUA, contaram com a participação de 34 crianças que tinham sido diagnosticadas com autismo, mas que atualmente não apresentavam nenhum sintoma de doença. Estes participantes foram comparados, tendo em conta a idade, género e coeficiente intelectual não-verbal, com 44 indivíduos com autismo severo e 34 indivíduos saudáveis, todos eles com idades compreendidas entre os 8 e os 21 anos.
 

Estudos anteriores já tinham analisado a possibilidade da perda de diagnóstico. Contudo, algumas questões ainda tinham ficado em aberto, nomeadamente a precisão do diagnóstico inicial e se as crianças que deixaram de ter sintomas apresentavam inicialmente uma forma leve de autismo.
 

Neste estudo liderado por Deborah Fein, os diagnósticos atribuídos por médicos especializados foram revistos pelos investigadores. De forma a assegurar a precisão dos resultados, o diagnóstico foi novamente reavaliado por um médico, o qual não tinha conhecimento do estado clínico atual da criança.

Os resultados do estudo sugerem que as crianças que atualmente não tinham sinais de autismo apresentavam, no início da sua infância, problemas sociais mais leves que do que aqueles que atualmente tinham autismo severo. No entanto, a severidade dos problemas associados à comunicação em grupo e comportamento repetitivo eram semelhantes.
 

Os autores do estudo analisaram o estado atual das crianças com recurso a testes cognitivos e observacionais, bem como questionários realizados aos pais. Foi verificado que as crianças que deixaram de ter sintomas de doença frequentavam aulas sem qualquer tipo específico de apoio, não apresentavam sinais de linguagem, reconhecimento facial, comunicação e interação social.
 

Os investigadores referem que o estudo não é capaz de fornecer informações sobre a percentagem de crianças que ficaram eventualmente sem sintomas. Contudo, os autores do estudo acrescentam que recolheram muitos dados, incluindo imagens funcionais e estruturais do cérebro, resultados psiquiátricos e informação da terapia à qual as crianças foram submetidas. A análise destes dados, a ser divulgada em estudos futuros, poderão ajudar a responder a algumas perguntas, nomeadamente se as alterações no diagnóstico resultaram da normalização da função cerebral ou se o cérebro destas crianças foi capaz de compensar as dificuldades associadas à doença.
 

Os investigadores esperam que os estudos futuros possam ajudar a entender os mecanismos responsáveis por estas alterações observadas em algumas crianças, de modo a proporcionar uma vida melhor a todas crianças que sofrem de autismo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  
 

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