Autismo: ácido folínico pode ajudar a melhorar capacidades de comunicação

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

24 outubro 2016
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O ácido folínico, uma forma reduzida de uma vitamina B, conhecido por folato, pode ajudar a melhorar as capacidades de linguagem e comunicação das crianças com perturbações do espectro autista, sugere um estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”.
 
Muitas das crianças com perturbações do espectro autista têm dificuldade de comunicação e interação, especialmente dentro de um ambiente social. A comunidade científica ainda não compreendeu totalmente todas as razões que estão na base do desenvolvimento das perturbações do espectro autista. Adicionalmente, ainda não existem tratamentos aprovados que abordem os principais sintomas desta doença.
 
John Slattery, um dos autores do estudo, refere que os únicos medicamentos aprovados são antipsicóticos, que têm por alvo os sintomas que não são centrais e que podem conduzir a efeitos secundários.
 
Alguns estudos têm associado esta condição a anomalias no metabolismo do folato, bem como a genes que estão envolvidos no metabolismo do folato. Algumas investigações também têm demonstrado que os filhos de mulheres que tomaram suplementos de ácido fólico antes da conceção e durante a gravidez apresentavam um menor risco de perturbações do espectro autista.
 
Há cerca de dez anos foi descrita uma condição, a deficiência de folato cerebral, na qual a concentração de folato se encontra abaixo dos níveis normais no sistema nervoso central, mas não no sangue. Muitas crianças com deficiência de folato cerebral apresentam sintomas de autismo e respondem bem ao tratamento de elevadas doses de ácido folínico.
 
Estudos anteriores realizados pelos investigadores do Instituto de Investigação Infantil do Arkansas, nos EUA, demonstraram que os autoanticorpos contra o recetor de folato tinham uma elevada prevalência nas crianças com perturbações do espectro autista. 
 
Neste estudo, os investigadores verificaram que as crianças com estes autoanticorpos apresentavam uma resposta mais favorável ao tratamento com ácido folínico. Desta forma, estes resultados indicam que pode ser útil para os médicos determinarem se a administração de uma dose elevada de ácido folínico pode funcionar como tratamento para determinadas crianças com perturbações do espectro autista. 
 
Na verdade, os investigadores verificaram que a comunicação verbal melhorou significativamente nas crianças tratadas ácido folínico, comparativamente com aquelas que receberam um placebo.
 
Os cientistas concluem que apesar de estes resultados serem positivos são necessários mais estudos de forma a replicá-los numa população de maior dimensão.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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