Ausência de vitamina D predispõe ao aumento de peso

Investigação espanhola

03 novembro 2011
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Cientistas do Centro de Investigação Biomédica em Rede – Fisiopatologia da Obesidade e da Nutrição (CIBERobn) abriram uma nova linha de estudo para aprofundar as numerosas propriedades benéficas da vitamina D e para analisarem a possibilidade de esta se converter numa terapêutica para a prevenção e combate da obesidade e outras doenças associadas.

 

Este trabalho está a ser realizado no Hospital Universitário Ramón e Cajal, em Madrid, pelo investigador Miguel Ángel Lasunción e baseia-se em estudos prévios que relacionam a carência de vitamina D com índices altos de obesidade, sobretudo quando esta é severa.

 

Por outro lado, constatou-se uma associação entre a carência daquela vitamina e o desenvolvimento de determinados tipos de cancro, como do cólon, da próstata e da mama, sendo esta uma via de investigação também abordada pelo CIBERobn através do seu programa multidisciplinar “Obesidade e Cancro”.

 

Em concreto, os investigadores do CIBERobn estudaram a relação existente entre a deficiência de vitamina D e a síndrome metabólica, um conjunto de factores de risco cardiovascular presentes num mesmo indivíduo (como a diabetes ou a hipertensão), com um factor comum que é a obesidade, sobretudo do tipo abdominal.

 

A carência desta vitamina está associada à síndrome metabólica e à alteração dos níveis de lípidos (colesterol e triglicerídeos), algo que, segundo o médico Ignacio Botella, membro do grupo de investigação do Hospital Ramón e Cajal, “faz pensar que será um factor modificável que pode influenciar o risco vascular destes doentes”.

 

De facto, um estudo recente realizado numa amostra de 90 mulheres do estado da Califórnia, nos EUA, concluiu que 63% das mulheres (57 das 90 estudadas) apresentavam carência de vitamina D e pesavam 7,4 quilos a mais do que as mulheres sem aquele défice vitamínico. Além disso, tinham 3,4 pontos a mais nos níveis de massa corporal.

 

A vitamina D pode ser obtida tanto na dieta como através da exposição solar. Pertence ao grupo das vitaminas lipossolúveis (solúveis em lípidos, ficam armazenadas no corpo e não é necessário tomá-las diariamente) e intervêm na absorção do cálcio e do fósforo e, portanto, no depósito destes elementos nos ossos e dentes.

 

Os alimentos que maior aporte de vitamina D produzem são os lacticínios, especialmente o leite enriquecido com esta molécula, assim como os cereais, os frutos secos, as verduras, as hortaliças e o peixe. Dentro deste último grupo, destacam-se os peixes gordos, como o salmão, o atum, o arenque e a sardinha, sobretudo o óleo que se extrai dos seus fígados, especialmente rico em ácidos gordos ómega 3.

 

No entanto, os investigadores do CIBERobn recordam que a vitamina D é produzida de forma “mais eficiente” pelo organismo através da exposição aos raios ultravioletas emitidos pelo sol.

 

“Os raios ultravioletas transformam a forma inactiva da vitamina D, que temos na pele, em activa”, segundo explica o chefe do grupo do CIBERobn. A exposição solar dá início à síntese desta vitamina na pele, que vai depender do seu nível de pigmentação e do grau de exposição à luz solar. A pele escura, por exemplo, diminui a passagem dos raios ultravioletas e, por isso, sintetiza menos vitamina D.

 

Os especialistas do CIBERobn recomendam a utilização das duas fontes de vitamina D, sendo que no caso do sol, não se deve abusar no Verão, em especial nas horas de maior intensidade de raios UVA. Uma dieta equilibrada que inclua alimentos ricos em cálcio e vitamina D, em combinação com uma exposição solar adequada de 15 minutos diários, é a chave para a prevenção da osteoporose de que sofre uma percentagem elevada das mulheres.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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