Aumento do consumo de fibras pode restaurar flora intestinal

Comentário publicado no “Trends in Endocrinology & Metabolism”

14 abril 2016
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O restabelecimento da saúde humana nos países ocidentais passa por alterações na dieta capazes de restaurar as espécies microbianas perdidas durante a evolução da dieta ocidental. Num comentário publicado na revista “Trends in Endocrinology & Metabolism”, investigadores do Canadá defendem um aumento estratégico do consumo de fibras como uma forma de recuperar a biodiversidade microbiana.
 
A ausência de nutrientes suficientes para a flora intestinal tem sido associada à perda de determinadas espécies bacterianas benéficas nas sociedades industrializadas e é possível que tenha também impacto na saúde imunológica e metabólica.
 
Os investigadores da Universidade de Alberta, no Canadá, referem que cerca de metade dos ocidentais consomem metade da quantidade de fibra aconselhada pelas diretrizes dietéticas. Isto é um problema, uma vez que a fibra dietética é a principal fonte de nutrientes para as bactérias intestinais nos humanos. 
 
No início deste ano, um estudo publicado na revista “Nature” apurou que os ratinhos alimentados com uma dieta ocidental típica, ou seja, com um elevado teor de gorduras e hidratos de carbono e baixa em fibras, transferiam uma menor diversidade de espécies microbianas benéficas para as gerações futuras. A reintrodução da fibra preferida dos microrganismos não resultou no retorno de algumas espécies, o que indica que ocorreram extinções em poucas gerações.
 
Jens Walter, um dos autores do estudo, refere que há vários estudos epidemiológicos que indicam que as fibras são benéficas e os produtos alimentares que contêm fibras dietéticas têm aprovação da FDA (organismo que controla os produtos alimentares e farmacêuticos nos EUA) no que diz respeito à prevenção do cancro do cólon e da doença arterial coronária.
 
“A questão atual mais premente é que nem o consumo de fibras na sociedade nem as doses utilizadas nas investigações clínicas são suficientemente elevadas”, referiu o investigador. A maioria dos estudos realizados utiliza entre 5 a 15 gramas de fibra, o que para Jens Walter são quantidades pouco benéficas.
 
Os indivíduos que vivem em sociedades não-industrializadas têm uma ingestão média de fibra muito maior que as sociedades ocidentais. Um estudo recente, publicado na revista “Nature Communications”, constatou que indivíduos afroamericanos que ingeriram uma dieta tradicional sul-africana que continha 55 gramas de fibra por dia tinham melhorado os marcadores para cancro do cólon, em duas semanas.
 
Jens Walter e Edward Deehan propõem que haja um esforço concertado por parte dos cientistas, produtores de alimentos, decisores políticos e grupos de regulamentação para colmatar o défice de fibra. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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