Aumento de índices de CO2 poderá ameaçar nutrição humana

Estudo publicado na revista “Nature”

14 maio 2014
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Se os níveis de dióxido de carbono tiverem atingido os níveis esperados para 2050, as plantações que fornecem à população mundial grande parte do ferro e zinco irão sofrer uma redução nesses nutrientes, concluiu um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Conduzido pela Escola de Saúde Pública de Harvard, nos EUA, este estudo foi o primeiro a debruçar-se sobre as consequências do aumento das concentrações de dióxido de carbono sobre a alimentação humana.
 

Segundo a equipa de investigadores, existem cerca de dois mil milhões de pessoas no mundo com deficiências de ferro e zinco, o que se traduz numa perda de 63 milhões de anos de vida por malnutrição.
 

Para o estudo, os investigadores utilizaram dados que incluíam 41 genótipos de grãos e leguminosas dos grupos de plantas que usam o ciclo de fixação de carbono de tipo C3 e C4, de sete locais de enriquecimento de dióxido de carbono ao ar livre na Austrália, Japão e EUA.
 

Após ter procedido à análise das concentrações de ferro e zinco nas partes comestíveis de arroz, trigo, soja, milho, ervilhas e sorgo, a equipa apurou que o nível de dióxido de carbono nos sete locais variava entre as 546 e 586 partes por milhão. Os investigadores verificaram decréscimos significativos nos níveis zinco, ferro e de proteína. Nos grãos de trigo, o zinco tinha decrescido 9,3%, o ferro 5,1% e a proteína 6,3%, em comparação com o trigo cultivado em zonas onde as concentrações de dióxido de carbono são moderadas.
 

Relativamente às leguminosas, foram detetadas reduções nos índices de ferro e zinco, mas mantiveram-se os níveis de proteína.
 

Samuel Myers, investigador no Departamento de Saúde Ambiental da Escola de Saúde Pública de Harvard, calcula que os 2 a 3 mil milhões de pessoas no mundo obtêm mais de 70% do seu zinco e ferro dessas colheitas. Este é também o caso dos países em vias de desenvolvimento, onde a deficiência destes nutrientes constitui um dos problemas de saúde.
 

O ferro e o zinco desempenham funções vitais para o organismo. O ferro é um componente fundamental da hemoglobina, que é uma proteína que transfere o oxigénio dos pulmões para os tecidos. Este nutriente é também necessário para o crescimento, desenvolvimento, funcionamento celular e síntese de certas hormonas e de tecidos conjuntivos. O zinco é essencial para a saúde humana pois ajuda o sistema imunitário a combater as bactérias e vírus. O zinco é também necessário para a produção de proteínas e síntese de ADN.
 

A equipa revelou-se surpreendida com esta descoberta. “ A humanidade está a conduzir um ensaio global através da rápida alteração das condições ambientais no único planeta habitável que conhecemos. À medida que este ensaio se desenrola, haverá sem dúvida muitas surpresas. Ter descoberto que o CO2 ameaça a nutrição humana é uma dessas surpresas”, remata Samuel Myers.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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