Aumento de capital dos hospitais vai permitir o pagamento de algumas dívidas

Declaração da presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares

24 dezembro 2014
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O aumento de capital dos hospitais públicos em mais 450 milhões de euros vai permitir o pagamento de algumas dívidas em atraso aos fornecedores, defende a presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.
 
Marta Temido comentava à agência Lusa o despacho, assinado na sexta-feira passada pelos Ministérios da Saúde e das Finanças, de aumento de capital dos hospitais públicos “de norte a sul” do país e que envolve mais de 450 milhões de euros (não relacionados com as verbas do Orçamento do Estado). As verbas começam a ser disponibilizadas ainda este ano.
 
“Esta notícia é muito bem recebida, muito bem acolhida (…). Este reforço vai permitir retirar alguns hospitais da falência técnica e por outro lado vai permitir pagar dívidas em atraso”, referiu à agência Lusa a presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).
 
De acordo com Marta Temido, o reforço vai permitir pagar dívidas vencidas ainda este ano, nomeadamente ao grande credor que é a indústria farmacêutica.
 
“A verba vai permitir encerrar o exercício económico de uma forma mais limpa. Só à indústria farmacêutica estamos a falar de dívidas de mais de mil milhões de euros até agosto deste ano e prazos de pagamentos que ultrapassam um ano”, adiantou.
 
Apesar da notícia, a responsável considerou que a grande questão mantém-se: como evitar acumulação de nova divida vencida em 2015.
 
“Enquanto presidente da APAH, já comentei esta notícia no ano passado. A questão é como é que para o ano não vamos estar a comentar esta notícia novamente. Que reestruturação, que reorganizações, que eficiências estão a ser trazidas para as estruturas hospitalares de forma a evitar que periodicamente haja necessidade de injetar dinheiros públicos”, disse.
 
Na opinião de Marta Temido, é necessária “coragem política e envolver todos os agentes do Serviço Nacional de Saúde para fazer uma reorganização que permita mantê-lo (SNS) nos seus princípios constitucionais".
 
“Devemos dotar o SNS de estruturas que permitam responder às necessidades das populações, que se alteraram radicalmente”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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