Aumentar níveis de um neuroquímico pode revigorar cérebros velhos

GABA pode revigorar tecido cerebral envelhecido

04 maio 2003
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A injecção nos neurónios de doses do neuroquímico GABA pode revigorar cérebros envelhecidos, de acordo com os resultados de uma investigação que envolveu macacos muito velhos.
 

 

Num estudo que aparece na edição de sexta-feira da revista Science, investigadores da Universidade de Utah afirmam que o GABA parece ajudar velhos macacos Rhesus a melhorar a visão e os processos de pensamento ao silenciar a estática interferente de outros neurónios nos seus cérebros.
 

 

O neuroquímico elimina sinais nervosos desgarrados que podem dificultar o pensamento e a visão em cérebros mais velhos, considera Audie G. Leventhal, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Utah e primeiro autor do estudo.
 

 

Leventhal diz que nos velhos primatas, tanto homens como macacos, há um declínio nos níveis de GABA, um químico que inibe sinais neuronais no cérebro. Sem que haja esse controlo, o cérebro é distraído e confundido por sinais desgarrados, como quando se tenta ouvir um sussurro no meio de um concerto de rock. «Nessa situação, não se consegue ouvir nada», afirmou. «O mesmo não se passa quando há um grito numa sala vazia. Isso é parecido com o que faz o GABA».
 

 

Sem níveis suficientes de GABA para retirar todos os sinais de fundo, acrescentou, «funcionam mal as funções da parte mais alta do cérebro». Bernard w. Agranoff, neuroquímico e professor de psiquiatria da Universidade de Michigan, disse que este estudo sobre os efeitos da GABA nos cérebros envelhecidos é uma importante descoberta que devia ser investigada nos seres humanos. «Não aponta automaticamente para um tratamento, mas é uma observação que precisa de ser seguida», acrescentou Agranoff, que não esteve envolvido nesta investigação.
 

 

Nela, Leventhal e os seus colegas mediram a actividade eléctrica de neurónios em partes específicas do cérebro tanto de jovens como de velhos macacos Rhesus expostos a padrões de luz emitidos por écrans de televisão.
 

 

Trabalhos anteriores mostraram que em macacos jovens alguns neurónios se activam apenas com padrões horizontais, enquanto que outros respondem apenas a padrões verticais e diagonais. Em macacos mais velhos, todavia, os neurónios activam-se quase fortuitamente, sugerindo que as células cerebrais têm uma capacidade diminuída de distinguir formas e movimentos.
 

 

Quando pequenas quantidades de GABA foram injectadas directamente nos neurónios, os cérebros dos macacos mais velhos responderam como os dos jovens, disse Leventhal. Os neurónios responderam adequadamente a cada um dos padrões dos écrans e os seus sinais eram claros e limpos, acrescentou.
 

 

O efeito continuou apenas enquanto os níveis de GABA eram mantidos. Quando o químico foi retirado, os cérebros dos macacos mais velhos regressaram à confusão anterior em poucos minutos, referiu ainda Leventhal, acrescentando que o GABA não teve aparentemente efeito sobre os jovens.
 

 

Os testes foram efectuados com seis macacos jovens, com 7 a 9 anos, e sete macacos velhos, de 21 a 32. «Estes macacos envelhecem três vezes mais depressa do que os seres humanos», disse Leventhal. «Um Rhesus de 30 anos é como uma pessoa de 90 anos».
 

 

Alguns tranquilizantes, como o Valium, o Xanax e o Librium, aumentam os níveis de GABA nos pacientes humanos. Isto sugere que estes medicamentos podem avivar cérebros envelhecidos, mas isto é uma ideia que precisa primeiro de ser cuidadosamente testada, considerou Leventhal. «A ideia é contra-intuitiva», comentou. «Fazer com que o avô se mexa mais depressa dando-lhe tranquilizantes não parece fazer muito sentido sem esses resultados».
 

 

Fonte: Lusa
 

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