Aumentar a força muscular... mentalmente?

Imagine um exercício físico e veja o resultado

14 novembro 2001
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Uma boa nova a todos aqueles que têm uma enorme falta de vontade em praticar exercício físico: nós podemos fortalecer os nossos músculos se, simplesmente, imaginarmos que estamos a praticar exercício físico.
 

 

A confirmar-se esta descoberta, apresentada no domingo que passou no encontro anual da Sociedade Americana de Neurociência, em San Diego (Califórnia), a tendência será para que as pessoas pensem, pensem muito e... esvaziem os ginásios.
 

 

Segundo as declarações Vinoth Ranganathan à agência Reuters, da Clínica Cleaveland, em Ohio, «só o facto de se pensar em praticar exercícios físicos pode ajudar a manter a força e o tonus muscular.»
 

 

Imagine que mexe o seu dedo mindinho...
 

 

Ranganathan e seus colaboradores decidiram investigar se os exercícios imaginados poderiam, ou não, aumentar a força muscular. De acordo com esta equipa, já outros estudos anteriores tinham demonstrado que a prática de exercícios físicos num lado do corpo produz efeitos no outro lados do corpo. De acordo com os investigadores, os efeitos neurológicos da prática de exercício físico numa parte do organismo também aumentam na parte do corpo que não se exercita.
 

 

Para analisar esta questão, a equipa coordenada por Ranganathan dividiu trinta adultos jovens em três grupos: o primeiro grupo imaginou usar o dedo mindinho, o segundo grupo imaginou flectir o braço e, finalmente, o terceiro grupo não imaginou qualquer tipo de exercício.
 

 

A prática de exercícios imaginados era feita cinco dias por semana, durante 15 minutos por dia, ao longo de 12 semanas.
 

 

Os investigadores pediram mesmo que os participantes se esforçassem nos seus exercícios e imprimissem o máximo esforço imaginário na prática física, de modo a tornar o exercício «o mais real possível.»
 

 

Para garantir que os voluntários não fizessem mesmo qualquer exercício, os investigadores utilizaram um dispositivo mecânico durante as sessões para que os participantes não movessem, de facto, os músculos que deveriam imaginar exercitar.
 

 

A força muscular foi medida antes, durante e depois as sessões de treino imaginário. No grupo que exercitou mentalmente o mindinho, a força muscular deste dedo aumentos, em média, 35%. No segundo grupo, a força do músculo flector do braço, aumentou 13,4%. Por fim, os participantes do terceiro grupo não apresentaram qualquer ganho de força muscular.
 

 

Os investigadores não limitaram o seu estudo à medição do ganho de força muscular. Eles também identificaram sinais cerebrais bem vísíveis, em electroencefalogramas, do aumento da actividade eléctrica cerebral nas áreas relacionadas com a movimentação muscular, enquanto os participantes realizavam os seus exercícios mentais.
 

 

No fim dos treinos, as imagens dos exames cerebrais revelavam uma activadade mais intensa e concentrada no córtex pré-frontal, comparativamente com as imagens obtidas antes dos treinos.
 

 

As aplicações reais desta descoberta
 

 

Apesar da brincadeira que a ideia de exercício físico mental pode suscitar, a verdade é que esta descoberta pode ter aplicações prática muito importantes para todos aqueles que têm dificuldades óbvias em praticar exercício físico. Por exemplo, as pessoas de idade ou aquelas que tiveram acidentes de qualquer tipo que comprometeram definitivamente as suas capacidades de movimentação e/ou locomoção.
 

 

De acordo com Ranganathan e os seus colaboradores, estas descobertas sugerem que os ganhos de força física dos participantes ocorreram devido ao aumento da capacidade cerebral em sinalizar os músculos para o exercício físico.
 

 

A equipa de Ranganathan implementou um outro estudo idêntico mas em pessoas com 65 anos ou mais, por forma a verificar se a prática mental de exercício físico também tem efeitos positivos neste grupo específico.
 

 

A expectativa dos investigadores é que o exercício físico mental possa ajudar as pessoas que sofreram derrames ou lesões na medula espinal. Segundo o próprio Ranganathan: «acreditamos que qualquer pessoa que tenha dificuldades em praticar exercícios físicos pode usar nosso método de treino mental para melhorar a força muscular que perdeu ou para manter a força muscular que ainda tem.»
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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