Aulas de música na infância beneficiam o cérebro

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

27 agosto 2012
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Segundo um novo estudo conduzido na Northwestern University, EUA, os adultos que tiveram uma educação musical durante a infância demonstram possuir um cérebro que opera melhor em termos de uma maior aptidão no processamento complexo de sons e da audição.

 

Na última década o impacto da música sobre o cérebro tem sido alvo de bastante interesse para a Ciência. A equipa de investigadores contou com a colaboração de 45 participantes, jovens adultos, que foram divididos em três grupos: um grupo que não tinha recebido educação musical, outro que tinha tido entre um a cinco anos de aulas de música e finalmente um último grupo que tinha frequentado aulas (de música) durante um período de entre seis a 11 anos. A maioria dos participantes que tinha recebido uma educação musical tinha iniciado as aulas cerca dos nove anos de idade.

 

Os investigadores concluíram que comparados com aqueles que nunca tinham tido aulas de educação musical, os que tinham frequentado aulas de música durante a infância, mesmo que tivessem sido poucos anos, demonstravam emitir melhores respostas a nível do cérebro a sons complexos. Isto refletia-se igualmente no processamento da frequência fundamental.

 

A frequência fundamental, que constitui a frequência mais baixa do som, é fundamental para a perceção da fala e da música, permitindo o reconhecimento de sons em ambientes auditivos complexos e barulhentos.

 

Numa conferência de imprensa, Nina Kraus, professora de neurobiologia, fisiologia e ciências da comunicação na Northwestern University, conclui que “desta forma, educação musical durante a infância faz com que nos tornemos melhores ouvintes mais tarde”. “Com base no que já sabemos sobre a forma como a música ajuda a formar o cérebro, o estudo indica que [receber] aulas de música durante um curto espaço de tempo poderá melhorar a audição e aprendizagem durante a vida inteira”, continua.

 

A investigadora comentou ainda que “estamos a ajudar a responder a uma pergunta que ocorre a muitos pais: “será que o meu filho(a) terá algum proveito em andar a praticar um instrumento musical durante algum tempo e depois deixá-lo?” Muitas crianças frequentam grupos musicais ou aulas privadas de música mas muito poucos continuam a fazê-lo durante o ensino secundário.

 

Estudos anteriores efetuados em músicos altamente qualificados e em pessoas bilingues em tenra idade tinham revelado que as respostas de grande precisão por parte do cérebro estão associadas às competências relativas à perceção auditiva mais aguçada à função executiva e auditiva e à comunicação auditiva. “Deduzimos, a partir deste estudo anterior, que alguns anos de aulas de música trazem-nos uma vantagem na forma como se percebe e recebe os sons nos contextos quotidianos de conversa, tal como restaurantes com muito barulho, afirma Nina Kraus.

 

Esperamos utilizar esta nova descoberta, conjugada com descobertas anteriores, para percebermos o tipo de estratégias de educação e de remediação, tal como aulas de música e formação baseada em auditórios que possam ser mais eficientes no combate dos efeitos negativos da pobreza”, conclui.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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