Audição restaurada através de uma tecnologia de ouvido biónico

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

29 abril 2014
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Investigadores australianos administraram pela primeira vez pulsos elétricos a partir de um implante coclear para aplicar terapia genética, a qual resultou no crescimento de células nervosas auditivas. O estudo publicado na “Science Translational Medicine” também refere que esta nova forma de aplicação de terapia genética pode ser aplicada no tratamento de várias doenças neurológicas, nomeadamente doença de Parkinson e doenças psiquiátricas.
 

“Em última instância, esperamos que após mais estudos, as pessoas que dependem de implantes cocleares possam disfrutar de uma gama dinâmica e tonal mais ampla do som, o que é importante para sentir o mundo auditivo que nos rodeia, bem como para apreciar a música”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Gary D. Housley.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, focaram-se na regeneração das células nervosas que sobrevivem à perda de audição associada à idade ou meio ambiente, utilizando uma tecnologia coclear existente.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que as terminações nervosas auditivas regeneravam-se caso as neurotrofinas, uma família de proteínas que desempenham um papel importante no desenvolvimento, função e sobrevivência dos neurónios, fossem transportadas para a parte auditiva do ouvido interno, a cóclea. Contudo até à data, a investigação nesta aérea tinha sido interrompida pois o transporte seguro e localizado destas proteínas não pode ser conseguido através da administração de fármacos ou terapia genética vírica.  
 

Assim neste estudo, os investigadores desenvolveram uma forma de utilizar impulsos elétricos desde o implante coclear para que ADN chegasse às células que rodeavam os eletrodos implantados, para que estas produzissem neurotrofinas.
 

“Acreditamos que no futuro a transferência de genes aumentará em poucos minutos o tempo envolvido na realização do implante. O cirurgião que colocasse o dispositivo poderia injetar o ADN na cóclea e disparar pulsos elétricos para despoletar a transferência deste após o implante ter sido inserido”, explicou, um outro autor do estudo, Jeremy Pinyon
 

“O nosso estudo tem implicações que vão para além dos problemas auditivos. A terapia genética tem sido sugerida mesmo no âmbito do tratamento de condições neurológicas devastadoras. A nossa tecnologia fornece uma nova plataforma para a transferência genética segura e eficaz nos tecidos delicados como é o caso do cérebro”, conclui, um outro coautor do estudo, Matthias Klugmann.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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