Atlas semântico mostra como o cérebro humano organiza a linguagem

Estudo publicado na revista “Nature”

02 maio 2016
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Investigadores americanos construíram um atlas semântico que mostra em cores vivas e a várias dimensões como o cérebro humano organiza a linguagem. O atlas também identifica as áreas cerebrais que respondem a palavras com significados similares, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, baseou-se em imagens cerebrais que gravaram a atividade neuronal de voluntários, enquanto estes ouviam um programa de rádio. Verificou-se que pelo menos um terço do córtex cerebral, incluindo áreas dedicadas à cognição de elevado nível, está envolvido no processamento da linguagem. Curiosamente, verificou-se que pessoas diferentes partilham mapas de linguagem similares.
 
Na opinião dos investigadores, liderados por Alex Hut, os mapas detalhados que mostram como o cérebro organiza as diferentes palavras pelo significado poderia eventualmente ajudar a dar voz aos indivíduos que não conseguem falar, como as vítimas de acidente vascular cerebral ou danos cerebrais, ou aqueles afetados por doenças motoras neurológicas como a esclerose lateral amiotrófica.
 
O estudo refere ainda que através desta abordagem os médicos poderiam acompanhar a atividade cerebral de pacientes que têm dificuldade em comunicar e emparelhar os dados com mapas semânticos de linguagem para tentar determinar o que os pacientes estão a tentar dizer. Uma outra aplicação possível é um descodificador que traduz o que um indivíduo está a dizer noutro idioma.
 
Alex Hut e outros seis indivíduos em que o inglês era a língua nativa funcionaram como voluntários, tendo para isso permanecido imoveis dentro de um aparelho de ressonância magnética durante horas. O fluxo sanguíneo de cada participante foi medido à medida que ouviam, de olhos fechados e auriculares, mais de duas horas de um programa de rádio.
 
As imagens cerebrais foram posteriormente emparelhadas com transcrições fonéticas das histórias. Esta informação foi posteriormente introduzida num algoritmo de palavras que avaliou as palavras de acordo com a proximidade semântica entre as mesmas. Os resultados foram convertidos num mapa semântico, onde as palavras foram organizadas nos hemisférios direito e esquerdo de córtices achatados do cérebro. As palavras foram assim agrupadas de acordo com várias temáticas como: visual, táctil, numérica, de localização, abstrata, temporal, profissional, violenta, coletiva, mental, emocional e social
 
Os mapas demonstraram que muitas áreas do cérebro humano representam linguagem que descreve pessoas e relações socias, em vez de conceitos abstratos.
 
“Os nossos modelos semânticos são bons para prever respostas à linguagem em várias e grandes faixas do córtex. Contudo, também é possível detalhar informação que nos indica que tipo de informação está representada em cada área do cérebro. É por isso que estes mapas são tão entusiasmantes e têm tanto potencial”, concluiu Alex Hut.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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