Atividade imunológica afeta a esquizofrenia

Estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”

20 outubro 2015
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As células imunitárias estão mais ativas nos indivíduos em risco de esquizofrenia ou naqueles já diagnosticados com a doença. Esta descoberta publicada no “American Journal of Psychiatry” pode fornecer uma nova ferramenta de tratamento para esta doença crónica, severa e incapacitante.
 
A esquizofrenia ocorre em 1% da população geral, mas em 10 % dos indivíduos que têm um familiar em primeiro grau com a doença, como um pai ou irmão. 
 
Os efeitos da esquizofrenia podem ser devastadores, tanto para os pacientes como os familiares. Os pacientes podem ter delírios ou alucinações e acreditam que as outras pessoas estão ler as suas mentes, controlando os pensamentos ou conspirando para prejudicá-los. Isto pode aterrorizar os pacientes e torná-los agitados.
 
Até à data o tratamento da esquizofrenia tem-se focado no desequilíbrio das reações químicas cerebrais. Esta condição é habitualmente tratada com antipsicóticos que têm por alvo os neurotransmissores dopamina. No entanto, este tipo de fármacos tem, frequentemente, efeitos colaterais e, caso os pacientes interrompam o tratamento, ocorrem recaídas.
 
As microglia são um tipo de células imunitárias que respondem a danos e a infeções no cérebro. As microglia são responsáveis pela "poda" onde as ligações do cérebro foram reordenadas para que estas ligações possam funcionar da melhor maneira possível.
 
O estudo conduzido pelos investigadores do Imperial College London e do King's College London, no Reino Unido, contou com a participação de 56 indivíduos, alguns dos quais já tinham sido diagnosticados com esquizofrenia, outros que se encontravam em risco de doença e outros que não tinham sintomas ou risco de doença. Todos os participantes foram submetidos à tomografia por emissão de positrões para medir o nível de atividade das microglia.
 
O estudo apurou que os níveis de atividade das microglia no cérebro aumentavam de acordo com a severidade dos sintomas nos indivíduos com esquizofrenia. Verificou-se também que os indivíduos diagnosticados com a doença tinham níveis mais elevados de atividade deste tipo de células imunitárias nos seus cérebros.
 
“Os nossos resultados são particularmente entusiasmantes uma vez que não se sabia se estas células ficavam mais ativas antes ou após o início da doença. Agora que demonstrámos este envolvimento precoce, esperamos que venha a ser possível descobrir os mecanismos de doença assim como novos medicamentos”, revelou, em comunicado de impressa, o líder do estudo, Peter Bloomfield.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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