Atividade física beneficia coração em adultos de meia-idade

Estudo publicado no “Circulation”

17 agosto 2012
  |  Partilhar:

A prática regular de atividades físicas durantes os tempos livres, por um período superior a 10 anos em adultos de meia-idade, poderá beneficiar a saúde cardiovascular, revela um estudo conduzido na University College of London, Reino Unido.

 

Participaram neste estudo 4,200 adultos, com uma média de idades de 49 anos. Os participantes foram convidados a descrever a duração e frequência das suas atividades físicas de ocupação de tempos livres tal como marcha rápida, prática de jardinagem vigorosa, ciclismo, desporto, tarefas domésticas e manutenção da casa.

 

Mark Hamer, professor associado de epidemiologia e de saúde pública naquele estabelecimento de ensino superior e líder da investigação, afirma que “não são apenas o exercício físico intenso e o desporto que são importantes”. O investigador defende ainda que “estas atividades de ocupação dos tempos livres representam exercício físico de intensidade moderada, o qual é relevante para a saúde. É particularmente importante que os adultos mais velhos se mantenham fisicamente ativos, já que isso contribui para um envelhecimento bem-sucedido”.

 

Este estudo teve como base uma avaliação de dois indicadores de processos inflamatórios chave, a proteína C-reativa (CRP) e a interleucina-6 (IL-6), que foi realizada entre 1991 e 1993. Os investigadores voltaram a avaliar a atividade física e os indicadores de processos inflamatórios entre 1997 e 1999 e, finalmente, 11 anos mais tarde.

 

Os resultados demonstraram que os participantes que eram fisicamente ativos apresentavam níveis de CRP e de IL-6 mais baixos. Esta diferença manteve-se estável ao longo do tempo em relação aos participantes que raramente tinham aderido às linhas de orientação relativamente à prática de atividades físicas no período de 10 anos que se seguiu.

 

Os participantes que deixaram de ser inativos e passaram a praticar exercício apresentaram indicadores de processos inflamatórios mais baixos no período de acompanhamento.

 

“Os indicadores de processos inflamatórios são importantes porque conseguimos demonstrar que estes constituem um mecanismo chave que explica a ligação entre a atividade física e um risco reduzido de se contrair doenças cardiovasculares”, adianta Mark Hamer.

 

No total, uma percentagem de 49,1% dos participantes correspondeu às recomendações padrão relativamente à prática de atividades físicas para a manutenção da saúde cardiovascular, que correspondem à prática de 2,5 horas semanais de atividade física moderada a intensa. Este valor subiu para 83% em fases subsequentes da investigação.

 

Mark Hamer explica que “a percentagem de participantes que praticavam exercício físico subiu porque estes atingiram o período da aposentação durante a última fase do estudo”. “Demonstrámos que a aposentação parece exercer um efeito benéfico sobre os níveis de atividade física”, continua.

 

O autor acrescenta ainda que “estudos anteriores debruçaram-se sobre a ligação entre a atividade física e os indicadores de processos inflamatórios em estudos transversais e de curto termo, mas nenhum tinha sido realizado com dados longitudinais” e conclui que “os nossos dados são muito mais fortes do que os dos estudos transversais ou de curto termo, fundamentam evidência anterior e confirmam a importância da prática de atividades físicas na obtenção de efeitos anti-inflamatórios”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.