Atividade física aumenta plasticidade do cérebro

Estudo publicado na revista “Current Biology”

15 dezembro 2015
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A aprendizagem, a memória e a reparação do cérebro dependem da capacidade dos neurónios se alterarem com a experiência. Um estudo publicado na revista “Current Biology” demonstrou que a atividade física pode aumentar esta plasticidade essencial do cérebro adulto.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Pisa, em Itália, que se focou no córtex visual, fornece novas esperanças para os indivíduos com ambliopia (também conhecida por olho preguiçoso), danos cerebrais traumáticos e outras condições.
 

“Fornecemos a primeira evidência de que a prática de níveis moderados de atividade física aumenta a neuroplasticidade no córtex visual dos adultos. Os nossos resultados abrem o caminho para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas não invasivas que explorem a plasticidade cereal intrínseca nos adultos”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Claudia Lunghi.
 

O potencial plástico do córtex cerebral é maior no início da vida, quando o cérebro em desenvolvimento é moldado pela experiência. Acredita-se que a plasticidade cerebral diminua com a idade. Este declínio da flexibilidade do cérebro ao longo do tempo é especialmente pronunciado no cérebro sensorial, que apresenta muito menos plasticidade nos adultos que nos mais jovens.
 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que os animais que praticavam exercício apresentavam níveis elevados de plasticidade no córtex visual e melhoria na recuperação da ambliopia, comparativamente com os animais mais sedentários.
 

De forma a tentar perceber se o mesmo ocorria nos humanos, os investigadores mediram o potencial plástico residual no córtex visual adulto utilizando um teste simples de rivalidade binocular. A maioria das vezes os olhos funcionam conjuntamente, mas quando as pessoas têm um olho tapado durante um curto espaço de tempo, este olho fica mais forte à medida que o córtex visual tenta compensar a falta de informação visual. A força do desequilíbrio resultante entre os olhos é uma medida da plasticidade visual do cérebro e pode ser testada apresentando a cada olho imagens incompatíveis.
 

Neste estudo os investigadores, submeterem 20 indivíduos a este teste duas vezes. Num dos testes, os participantes com um olho tapado visualizaram um filme sentados relaxadamente numa cadeira. No outro teste, os indivíduos com um olho tapado visualizaram o filme ao mesmo tempo que pedalavam numa bicicleta fixa, durante intervalos de 10 minutos. O estudo apurou que a plasticidade cerebral estava aumentada no grupo que tinha realizado exercício físico.

 

Apesar de serem necessários mais estudos, os investigadores acreditam, que este efeito pode ser resultante da diminuição de um neurotransmissor inibidor denominado por GABBA. À medida que as concentrações deste inibidor diminuem, o cérebro torna-se mais sensível.
 

Relativamente ao mecanismo, os resultados sugerem que o exercício desempenha um papel importante na saúde e recuperação. Estas são notícias especialmente boas para os indivíduos com ambliopia, uma condição geralmente considerada intratável nos adultos. Portanto quem sofre desta condição, não seja preguiçoso!”, aconselha Claudia Lunghi.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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