Atividade do pâncreas pode ser monitorizada através dos olhos?

Estudo publicado nos ”Proceedings of the National Academy of Sciences”

21 novembro 2013
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Investigadores suecos descobriram uma forma inovadora de estudar a regulação da glucose no organismo, através da transferência das células produtoras de insulina do pâncreas para os olhos, dá conta um estudo publicado nos ”Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Os ilhéus de Langerhans, que constituem a porção endócrina do pâncreas, são responsáveis pela produção e secreção da insulina, a hormona que regula os níveis sanguíneos de glucose. Após a ingestão de uma refeição, a hormona é libertada no sangue numa quantidade diretamente proporcional à quantidade de alimentos ingeridos. No caso da obesidade, são necessários níveis elevados de insulina para compensar o elevado consumo de alimentos e a insensibilidade à hormona.
 

Os investigadores explicam que os ilhéus de Langerhans tentam adaptar-se a esta condição através do aumento das células produtoras de insulina ou pela modulação da sua secreção individual de insulina em resposta ao consumo de açúcar. Esta plasticidade é essencial para manter os níveis normais de açúcar, sendo que a sua disfunção conduz à diabetes.
 

O maior obstáculo para o estudo dos mecanismos dos ilhéus de Langerhans e da forma como se adaptam às diferentes condições, é a sua relativa inacessibilidade. Mas agora os investigadores do Instituto Karolinska, na Suécia, encontraram uma nova forma de estudar as células beta produtoras de insulina através da transferência dos ilhéus de Langerhans para os olhos.
 

“Conseguimos colocar as células oticamente visíveis, através de um enxerto de um pequeno número de células nos olhos, o que nos permite monitorizar a atividade do pâncreas apenas olhando para os olhos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Per-Olof Berggren.
 

De acordo com os investigadores, os olhos podem reportar a atividade do pâncreas e permitir a leitura do estado deste órgão em diferentes condições de saúde. “Os ilhéus de Langerhans podem ser visualizados repetidamente ao longo de vários meses, tendo-se verificado que durante este período ocorrem alterações funcionais e morfológicas similares às que ocorrem no pâncreas”, explicou o primeiro autor do estudo, Erwin Ilegems.
 

Através deste sistema de monitorização e do tratamento farmacológico, os investigadores foram capazes de reduzir o consumo de alimentos pelos ratinhos obesos e interromper consequentemente o grande crescimento da população de células beta. O que significa que é possível ajustar individualmente a dose de medicação. Os investigadores referem que, no futuro, este método poderá também ser utilizado nos humanos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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