Aterosclerose: novo tratamento?

Estudo publicado na revista “Nature”

25 julho 2016
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Investigadores americanos constataram que o sinal que as células tumorais apresentam na sua superfície para as proteger de serem devoradas pelo sistema imunitário também desempenha um papel na aterosclerose, o processo envolvido nos enfartes agudos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais, refere um estudo publicado na revista “Nature”.
 

A aterosclerose é causada pela deposição de substâncias gordas ao longo das paredes das artérias, formando placas ao longo dos anos. Atualmente sabe-se que há uma grande acumulação de células mortas ou a morrer nas placas ateroscleróticas, cuja inflamação as deixa frágeis e vulneráveis à rutura.
 

Para a patologia contribui um tipo de células imunitárias que chegam ao local com intenções presumivelmente benignas. Uma das funções de um tipo de células imunitárias, os macrófagos, é a ingestão e a destruição das células mortas ou que estão a morrer, que de outra formam poderiam começar a libertar substâncias que podem promover a inflamação.
 

Muitas células do organismo apresentam à sua superfície uma proteína, a CD47, que informa o sistema imunitário que ainda se encontra viva, forte e que faz parte do tecido saudável do organismo. Habitualmente, quando a célula começa a morrer, estas proteínas começam a desparecer, o que faz com que sejam ingeridas pelos macrófagos. Contudo, as placas de ateroma estão cheias de células mortas ou a morrer que deveriam ter sido eliminadas pelos macrófagos.
 

De forma a averiguar por que motivo havia tantas células mortas nas placas de ateroma, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, realizaram uma análise genética de centenas de tecidos coronários e da artéria carótida. Verificou-se que a CD47 era extremamente abundante no tecido aterosclerótico, comparativamente com o tecido vascular normal e que estava relacionada com o risco de resultados clínicos adversos, como o AVC.
 

Muito do que se sabe da função CD47 vem do facto de, nos finais dos anos 90, inícios de 2000, se ter descoberto que esta proteína era expressa em elevadas quantidades nas células tumorais, ajudando a evitar a destruição pelos macrófagos. Contudo, verificou-se que o bloqueio da CD47 com anticorpos monoclonais restaurava a capacidade de os macrófagos devorarem as células.
 

Assim, neste estudo, os investigadores, liderados por Nicholas Leeper, testaram o efeito deste anticorpo na batalha contra a aterosclerose. Testes em cultura de células demonstraram que os anticorpos anti-CD47 induziam a eliminação de células doentes e mortas do músculo liso, assim como de macrófagos incubados em condições que simulavam o ambiente aterosclerótico. Em vários modelos de ratinho verificou-se que o bloqueio da CD47 contrariou a acumulação da placa arterial e tornou-a menos vulnerável à rutura.
 

O estudo apurou ainda que a quantidade elevada de CD47 nas placas estava relacionada com níveis elevados de uma substância promotora da inflamação, o TNF-alfa. Os investigadores verificaram que o TNF-alfa impedia a diminuição progressiva da CD47 nas células que estavam a morrer. Desta forma, as células ficam menos suscetíveis a serem ingeridas pelos macrófagos, especialmente no ambiente que promove a aterosclerose.
 

“Isto abre portas para a utilização destes anticorpos em estados patológicos não cancerosos onde a proliferação celular é um atributo primário das células doentes”, concluiu um dos autores do estudo, Weissman.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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