Ataques suicidas e os riscos para a saúde pública

Homem-bomba pode transmitir doenças a sobreviventes

29 julho 2002
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Os ataques suicidas levados a cabo por palestinos contra alvos israelitas fazem parte de um fenómeno estranho e chocante que, frequentemente, acende as chamas da guerra entre os dois países do Médio Oriente.
 

 

Um pouco à margem das considerações éticas da guerra entre Israel e a Palestina, um artigo publicado na revista New Scientist aponta uma nova preocupação para os alvos de ataques suicidas. Segundo o artigo, os denominados homens-bomba podem estar a colocar em risco a saúde das pessoas, transmitindo aos sobreviventes hepatite ou outras doenças contraídas por contacto sanguíneo.
 

 

Segundo uma equipa médica israelita foram encontrados fragmentos de ossos de um suicida, que usou uma bomba num atentado, incrustados no corpo de uma mulher de 31 anos que sobreviveu ao ataque. Os pedaços de ossos foram testados para hepatite B, e o resultado foi positivo para a doença que afecta o fígado.
 

 

Segundo Itzhak Braverman, do Centro Médico Hillel Yaffe, em Hadera, Israel, em declarações à revista New Scientist, esse pode ser o primeiro caso de fragmentos de ossos humanos agindo como corpo estranho na lesão decorrente de explosão. «Até ao momento, ninguém tinha considerado este perigo», acrescentou o especialista.
 

 

Braverman afirmou acreditar que todos os pedaços de ossos enterrados nos sobreviventes destes ataques com bombas-humanas deveriam ser testados sempre para verificar doenças como hepatite, dengue, sífilis, a variante humana da vaca louca e, possivelmente, malária.
 

 

Por enquanto, e para prevenir muitos problemas de saúde, os sobreviventes estão a ser vacinados, referiu o médico israelita. «Como resultado deste caso, todos os sobreviventes deste ataque em Israel estão a ser vacinados contra hepatite B».
 

 

No entanto, o maior receio é em relação ao HIV, vírus causador da Sida. Segundo Braverman, a mulher obteve resultado negativo para HIV, mas o especialista acrescentou que os exames geralmente são desenvolvidos para analisar o sangue e verificar a presença de doenças. Neste caso, e por se tratar de fragmentos de ossos, o diagnóstico é mais difícil.
 

 

A New Scientist, no entanto, não forneceu pormenores sobre o local onde ocorreu o atentado nem quando. O conflito entre árabes e judeus tem origem histórica. No Corão, livro sagrado dos muçulmanos, os israelitas são definidos como elementos minoritários e como um povo no qual não se deve confiar e que precisa ser mantido sob domínio.
 

 

A disputa pela Palestina entre os dois povos tem as suas raízes na Antiguidade. E milhares de pessoas tem sucumbido a nesta guerra. Desde Setembro de 200, início da intifada, já morreram 577 israelitas e mais de 1700 palestinos.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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