Atacar Alzheimer antes de a doença se manifestar

Cientistas portugueses realizam novo estudo

13 dezembro 2002
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Investigadores portugueses vão realizar um estudo que permitirá detectar, no futuro, os indivíduos em risco de desenvolver a doença de Alzheimer e actuar com drogas neuroprotectoras capazes de atrasar a sua evolução.
 

 

O estudo vai tentar, através de uma conjugação de várias técnicas de ressonância magnética, melhorar a sensibilidade diagnóstica em doentes que potencialmente poderão evoluir de uma situação de défice cognitivo ligeiro (DCL) para a doença de Alzheimer.
 

"O défice cognitivo ligeiro refere-se aos doentes que se queixam de alterações de memória, confirmadas por testes neuropsicológicos. Contudo, as outras funções cognitivas estão preservadas, sem perturbação das actividades diárias", explicou à Agência Lusa Teresa Palma, neuroradiologista e uma dos dez investigadores portugueses envolvidos no projecto.
 

 

Estudos internacionais já demonstraram que, em cerca de 80 por cento dos casos, o DCL dá origem à doença de Alzheimer ao fim de seis anos.
 

"Em Portugal trata-se de um estudo inédito. Relativamente aos estudos realizados a nível internacional, não existe até ao momento nenhum que integre um leque tão vasto de técnicas de ressonância magnética, o que permite aumentar a sensibilidade e especificidade diagnósticas", sublinhou a investigadora.
 

 

Por esse motivo, o projecto recebeu a Bolsa de Estudo de Envelhecimento Cerebral e Doença de Alzheimer no valor de 15 mil euros, atribuída bianualmente pela Sociedade Portuguesa de Neurociências e que contou nesta edição com o patrocínio do laboratório farmacêutico Pfizer.
 

 

O objectivo último do estudo português é tentar perceber se existe algum padrão típico de evolução do DCL para a doença de Alzheimer que permita prever, através das alterações encontradas em ressonância magnética, que doentes vão evoluir para a doença de Alzheimer.
 

"O estudo irá permitir, no futuro, detectar os indivíduos em risco de evoluir para a doença de Alzheimer e actuar através de drogas neuroprotectoras que, neste momento, ainda não permitem evitar o aparecimento da doença mas podem atrasar a sua evolução", explicou.
 

 

A equipa de investigadores pretende ainda construir uma base de dados do envelhecimento normal ou adequado para o grupo etário na população portuguesa.
 

 

Neste projecto, que vai arrancar no início de 2003 e cujas primeiras conclusões deverão surgir dentro de dois anos, vão ser estudados inicialmente cerca de 50 indivíduos: 20 com DCL, 10 com a doença de Alzheimer e 20 com um envelhecimento considerado adequado para a idade para efeitos de controlo.
 

 

Em Portugal estimam-se em cerca de 60.000 os indivíduos que sofrem da doença de Alzheimer, mas os investigadores acreditam que a prevalência da doença tenderá a crescer, num cenário de aumento da esperança de vida e consequente envelhecimento da população.
 

 

O projecto constitui uma parceria entre especialistas do Serviço de Neurologia do Hospital Egas Moniz, Laboratório de Neurociências da Faculdade de Medicina de Lisboa e Ressonância Magnética de Caselas.
 

 

Fonte: Lusa
 

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