Astronautas podem ter mais pedras nos rins

Missões Espaciais de longa duração podem estar comprometidas

08 novembro 2001
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Pedras nos rins? Isso mesmo. Além das múltiplas amostras de solo que recolhem durante as suas missõoes espaciais, os astronautas regressam com uma maior predisposição em desenvolver pedras dos rins. Uma triste consequência da aliciante profissão.
 

 

Investigações realizadas com as tripulações da estação espacial Mir mostram que as probabilidades de desenvolver este tipo de problema renal é maior entre estes astronautas.
 

 

As análises à urina feitas à tripulação revelaram que o nível de fluídos era mais baixo e as concentrações de fosfato de cálcio eram mais altas, o que pode causar o problema de pedras nos rins.
 

 

Missões em risco
 

 

Deste modo, as missões mais longas no Espaço podem estar gravemente postas em causa. Segundo os cientistas urge encontrar formas de prevenir a doença. Dados indicados pelos investigadores indicam que os astronautas afectados pelo problema, podem ficar incapacitados para o trabalho e missões inteiras podem ser abortadas.
 

 

A pedra renal pode se formar em qualquer lugar do rim ou da bexiga e o seu tamanho pode variar entre cristais microscópicos a pedras do tamanho de uma noz, que se movem no aparelho urinário, causando fortes dores. Se uma pedra bloquear completamente o tubo de drenagem do rim, o órgão pode mesmo parar de funcionar.
 

 

As longas viagens a Marte, por exemplo, podem ter os dias contados. Para saber, ao certo, o que acontece com os astronautas que participam em missões mais longas, foram feitos exames de urina antes, durante e depois do retorno destes de missões de 100 dias na Mir entre 1995 e 1999.
 

 

O volume de fluidos e de urina apresentados eram mais baixos que os normais. E os níveis de fosfato de cálcio eram mais altos do que o normal. Em termos científicos, isto significa que os sais de cálcio têm mais possibilidade de cristalizar, dando origem a pedras, mesmo que os níveis tenham voltado ao normal depois de um mês de volta à Terra.
 

 

Soluções
 

 

No estudo apresentado na reputada revista New Scientist, os cientistas do Centro Espacial Johnson da Nasa, em Houston, Estados Unidos, procuram encontar uma solucão para o problema. Até porque, segundo refere Peggy Whitson, astronauta da Nasa e bioquímica, os astronautas que participaram em missões mais curtas, de até 18 dias, foram afectados.
 

 

A perda de massa óssea que ocorre em condições de pouca gravidade podem ser uma das causas das pedras nos rins, aponta a cientista.
 

 

As pedras renais podem ser eliminadas facilmente, sem necessidade de cirurgia, mas geralmente é um processo muito doloroso. Beber muita água ajuda a eliminar as pedras e a evitar a doença. Mas, segundo especialistas, urinar no espaço pode ser muito difícil.
 

 

As soluções par este complicado caso podem passar, segundo Joseph Zerwekh, do Centro Médico da Universidade do Texas, por dar suplementos de citrato de magnésio e potássio para os astronautas. Estes suplementos servirão para prevenir a perda de cálcio e a possibilidade de o astronauta sofrer uma fractura. Normalmente, as pedras nos rins podem desenvolver-se antes da perda de densidade óssea.
 

 

O suplemento já foi testado em 60 pacientes que foram levados para descansar em condições de pouca gravidade e tiveram o risco de desenvolver pedras nos rins diminuído em 85 por cento. Um outro estudo, elaborado pela Nasa , também está a tentar resolver o problema. Mas, desta vez, para perceber o funcionamento dos suplementos no Espaço.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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