Astronautas podem ter graves problemas de sono

Viagens ao planeta vermelho provocam alterações no ritmo biológico

23 novembro 2001
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Os astronautas que viajarem no futuro para Marte poderão sofrer transtornos graves do sono em consequência de um mecanismo cerebral acostumado ao ritmo da Terra.
 

 

Esta nova preocupação com as viagens espaciais prende-se com os resultados de uma investigação realizada com astronautas da antiga estação espacial russa Mir e também com animais.
 

 

O cérebro possui um Marcador Circadiano Endógeno (ECP, na sigla em inglês), que regula o sono, a atenção e a química cerebral.
 

 

Este marcador formou-se ao longo da evolução do ser humano para manter um ritmo de 24 horas, condicionado pelo período de rotação da Terra em torno do Sol.
 

 

O dia e a noite, os períodos de sono ou de vigília, até a fadiga que o corpo regista, bem como a temperatura do organismo são factores que mantêm uma relação directa com o marcador ECP.
 

 

Ausência de gravidade
 

 

Os trabalhos de investigação na situação de ausência de gravidade decorreram sob a orientação do professor de psiquiatria Timithy Monk, da Universidade de Pittsburgh, logrando registar que o marcador deixa de funcionar correctamente 90 dias depois de abandonar a Terra.
 

 

Uma viagem de ida e volta ao Planeta Vermelho demorará cerca de um ano e os astronautas que a fizerem podem sofrer transtornos no seu ritmo circadiano se não se conseguir convencer o cérebro de que as condições da Terra permanecem válidas, afirma Monk.
 

 

«O nosso estudo indica que necessitaremos de encontrar métodos para enganar o marcador ECP do cérebro e manter um ciclo inalterado de 24 horas se quisermos ter êxito em missões espaciais de longa duração», disse o investigador.
 

 

Sabe-se hoje que a alternância entre a vigília e o sono resulta da acção de diversas substâncias intimamente ligadas ao ritmo circadiano de 24 horas.
 

 

O nosso corpo obedece a relógios internos escondidos no hipotálamo. Quando os ritmos naturais são alterados, o organismo sente-se confuso.
 

 

O trabalho nocturno, a maneira de viver, a longa madrugada do fim-de-semana ou as viagens que implicam grandes mudanças horárias podem provocar distúrbios de sono.
 

 

Quando adormecemos, a nossa temperatura baixa, favorecendo o acto de dormir. Por volta das três horas da madrugada, a glândula pineal (situada no centro do cérebro) liberta a melatonina, hormona responsável por «abrir as portas ao sono» e melhorar a qualidade do sono paradoxal.
 

 

Ao alvorecer, a luz inibe a actividade da glândula pineal, refreando a produção de melatonina.
 

 

Fonte: Lusa
 

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