Associação Portuguesa de Fertilidade quer mudança de mentalidade

Declarações da responsável

03 junho 2016
  |  Partilhar:

A Associação Portuguesa de Fertilidade (APF) considera que o maior problema que enfrenta é a dificuldade em encontrar quem fale abertamente do tema.
 

A associação, que nasceu há dez anos e que conta com quatro mil associados, "teve um papel fundamental" na criação da legislação, na primeira década do século XXI, que "defendeu as mulheres com problemas de fertilidade", disse à agência Lusa a secretária da direção da APF, Marta Casal.
 

A APF, que tem o estatuto de Instituição Pública de Segurança Social, "ganhou muitos associados" desde que a lei foi instaurada, mas essa adesão não representou, ao mesmo tempo, "uma mudança de mentalidades", disse a responsável.
 

"Não sendo um tabu, a verdade é que quem nos procurou durante muito tempo, através da plataforma informática que criámos, fazia-o usando um nickname [alcunha]. Mas, agora, com o novo modelo instaurado, a que só acede quem for associado, esse número de pessoas a pedir ajuda diminuiu", explicou Marta Casal.
 

A AFP tem uma página na Internet na qual presta informação, "mas sem dar indicações médicas ou recomendar médicos" e é detentora de uma "rede de psicólogos por todo o país - com quem celebrou protocolos - e a que os associados podem recorrer com vantagens", acrescentou.
 

Ao longo da última década foi percetível para a associação que nem mesmo os grupos de apoio funcionaram: "as pessoas preferem falar com alguém que tenha vivido ou esteja a passar pelo mesmo, num círculo o mais restrito possível", sendo também por isso, lamentou, " tão difícil encontrar pessoas que queiram dar a cara e os seus testemunhos".
 

Esta complexidade resultou noutros problemas para a APF que, por exemplo, desconhece a taxa de sucesso da ajuda que prestou, "porque há associados que não dão retorno dos tratamentos efetuados", refere Marta Casal.
 

A responsável referiu ainda que num país onde a taxa de infertilidade feminina é superior à masculina, muito do declínio do matrimónio está associado à infertilidade, pois contém uma vertente psicológica muito difícil, além de que os tratamentos são longos e muito caros.
 

Marta Casal conclui que é necessária uma mudança de mentalidade e um maior envolvimento dos homens, cujos problemas de fertilidade são de mais fácil resolução, sendo ultrapassados, por exemplo, através de uma biopsia testicular.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.