Associação Mama Help explica como lidar com o nevoeiro da quimioterapia

Declarações da presidente da instituição

27 novembro 2015
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A associação Mama Help está a promover hoje, no Porto, uma sessão para ajudar os doentes a ultrapassarem o "nevoeiro" da quimioterapia, percebendo como recuperar funções que são afetadas ao longo dos tratamentos.
 
"As pessoas ficam muito assustadas quando terminam o tratamento e dizem ‘já me livrei deste processo mas agora não me consigo lembrar de nada'. ‘Consegui vencer o cancro mas agora estou com alzheimer' é outra das frases que ouvimos", referiu à agência Lusa a presidente da Mama Help, Maria João Cardoso.
 
Em causa está o facto de, além da cirurgia, muitos doentes com cancro fazerem tratamentos de radioterapia, quimioterapia, tratamentos biológicos e tratamentos hormonais, terminando-os frequentemente com a sensação de que estão ao telefone, por exemplo, e não se lembram de quem ligou ou no trabalho e esquecem-se do que lhes pediu o chefe.
 
Maria João Cardoso explicou que a isto se chama "o nevoeiro da quimioterapia" e "só percebendo como funciona é que é possível reduzir um bocadinho a ansiedade" pós-tratamento.
 
A quimioterapia continua a ser o tratamento por excelência na luta contra o cancro, mas, sendo "bom" no combate à doença, também é "cego" porque atinge as células boas, logo afeta temporariamente o cérebro com alterações temporárias das funções cognitivas.
 
Para perceber como combater esse "nevoeiro" a Mama Help propõe um debate "mais interativo que expositivo" que vai juntar três equipas da Fundação Champalimaud: Programa de Neurociências, Unidade de Mama e Unidade de Neuropsiquiatria.
 
A diretora da associação avançou que, partindo do princípio de que os efeitos da quimioterapia sobre o cérebro não são definitivos, existem formas de melhorar através de abordagens de neuropsiquiatria e neuropsicologia.
 
Para reativar os sistemas ativadores do cérebro existem jogos e medicação. De forma geral as palavras cruzadas, o descubra as diferenças ou ver os pares ao virar as cartas são jogos de estimulação de memória mas hoje, a partir das 18:30 na Fundação António Cupertino de Miranda, vários especialistas vão debater abordagens específicas.
 
"Há falta de informação sobre todo o processo do cancro. Felizmente cada vez há mais e cada vez mais as associações se preocupam com isso mas para percebermos um bocadinho o que está implicado não só na doença mas também nos tratamentos, temos de perceber como tudo funciona", defendeu Maria João Cardoso quando questionada sobre lacunas de informação sobre o pós-tratamento.
 
"O reentrar na vida normal, implica que a pessoa entenda quais são os mecanismos da doença e do tratamento para conseguir reduzir a ansiedade. As pessoas voltam ao normal, têm é que entender porque é que não voltam ao normal no dia seguinte", conclui.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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