Associação entre Zika e microcefalia foi comprovada

Estudo publicado no “The New England Journal of Medicine”

16 fevereiro 2016
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Investigadores eslovenos provaram que existe de facto uma relação entre o vírus Zika e a microcefalia, dá conta um estudo publicado no “The New England Journal of Medicine”.

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, Mara Popovic, do Instituto de Patologia da Faculdade de Medicina de Liubliana, referiu que o vírus foi encontrado nos neurónios de um embrião de uma mulher que tinha sido contagiada no início da gestação no Brasil.
 
Desta forma, comprovou-se, pela primeira vez, que o vírus Zika ataca principalmente as células nervosas do feto e confirmam-se as fortes suspeitas dos especialistas sobre a relação da microcefalia com o vírus.
 
De acordo com Tatjana Avsic Zupanc, do Instituto de Microbiologia e Imunologia, o feto pode ser infetado com o vírus em qualquer fase da gestação, mas que os danos mais graves ocorrem no primeiro trimestre da gravidez.
 
Os investigadores eslovenos garantem que os danos no sistema nervoso central, relacionados com o contágio durante a gestação, são consequência da reprodução do vírus no cérebro do feto. Esta associação foi comprovada numa grávida eslovena que esteve no Brasil durante o primeiro trimestre de gestação e regressou em seguida à Eslovénia.
 
No último trimestre da gravidez, em outubro passado, foram detetadas por ecografia muitas irregularidades no desenvolvimento do feto e da placenta, pelo que se iniciaram as investigações, embora na altura não houvesse ainda qualquer suspeita de que se tratasse do Zika. Devido aos maus prognósticos e aos graves danos no cérebro do feto, a mulher decidiu interromper a gravidez.
 
A autópsia e as investigações posteriores confirmaram que os problemas no desenvolvimento do cérebro do feto se deviam à infeção pelo vírus, com o qual a grávida tinha sido contagiada e que tinha transmitido ao embrião através da placenta.
 
Segundo um representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Liubliana, Marijan Ivanusa, a investigação representa “uma peça excecionalmente importante no puzzle para provar que o vírus Zika realmente pode causar microcefalia”.
 
Contudo, segundo o responsável da OMS, a investigação não representa algo “dramaticamente novo”, já que não existem medicamentos nem vacinas contra o Zika e a única coisa que resta é recomendar a proteção contra os mosquitos.
 
“A dificuldade é que é impossível recomendar a milhões de mulheres nas regiões em que o Zika está mais presente que não engravidem. É importante que as mulheres dessas regiões se defendam dos mosquitos e se protejam das suas picadelas, e que os médicos controlem as mulheres em gestação e se os fetos se estão a desenvolver normalmente”, conclui.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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