Associação entre toma de antibióticos e asma

Estudo publicado na revista “The Lancet Respiratory Medicine”

19 maio 2014
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As crianças que tomam antibióticos antes de perfazerem um ano de idade poderão apresentar um risco aumentado de desenvolver asma. Contudo, o estudo publicado na revista “The Lancet Respiratory Medicine” sugere que isto só ocorre caso a criança apresente uma imunidade antiviral afetada e variantes genéticas no cromossoma 17, que aumenta tanto o risco de toma de antibióticos no início da vida como o desenvolvimento de asma mais tarde.
 

Este estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, não observou qualquer associação entre a toma precoce de antibióticos e o desenvolvimento de doenças alérgicas. Estes resultados contradizem assim a teoria anterior que defendia que a exposição precoce aos antibióticos alterava o sistema imune das crianças, via modificação da flora intestinal, e aumentava consequentemente a suscetibilidade à asma alérgica.
 

Estudos anteriores tinham associado a toma de antibióticos no início da infância ao desenvolvimento de asma. Contudo, outros estudos deram origem a resultados contraditórios.
 

De forma a tentar clarificar esta associação, os investigadores, liderados por Adnan Custovic, acompanharam 1.000 crianças desde o nascimento até estas perfazerem 11 anos. Foram obtidas informações sobre a toma de antibióticos, episódios de respiração sibilante e casos de exacerbação de asma. Foram também realizados testes alérgicos cutâneos aos 3, 5, 8 e 11 anos.
 

Aos 11 anos de idade foram também recolhidas amostras de sangue de crianças que tinham ou não sido expostas a antibióticos durante o primeiro ano de vida, de forma a avaliar a resposta do sistema imune a vírus e bactérias. Foram ainda realizados testes genéticos de forma averiguar uma possível associação entre variações genéticas comuns no cromossoma 17, conhecidas por 17q21, e a prescrição de antibióticos.
 

O estudo apurou que as crianças com pieira/respiração sibiliante  que foram tratadas com antibióticos no primeiro ano de vida tinham, relativamente às outras crianças, um risco duas vezes maior de terem asma exacerbada e serem hospitalizadas. Foi também verificado que estas crianças apresentavam uma baixa indução de citoquinas, proteínas imunes que desempenham um papel importante na defesa contra infeções virais.
 

Os investigadores identificaram ainda dois genes na região 17q21 que estavam associados a um aumento do risco de prescrição de antibióticos no primeiro ano de vida.

 

“Especulamos que os fatores que aumentam tanto a prescrição de antibióticos no início da vida, como o subsequente desenvolvimento da asma, aumentam a suscetibilidade às infeções virais devido a um imunidade antiviral afetada e a variantes genéticas no17q21”, referiu o investigador.

 

Adnan Custovic conclui que são necessários mais estudos para confirmar que a imunidade afetada estava presente na altura do desenvolvimento dos sintomas respiratórios e antes da prescrição dos antibióticos e não são uma consequência destes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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