Associação de surdos quer mais visibilidade

Dia nacional da Língua Gestual Portuguesa

15 novembro 2013
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Apesar de a língua gestual portuguesa já ser reconhecida há 16 anos, a Associação de Surdos do Porto lamenta que a mesma não passe de uma ferramenta e defende a sua “maior visibilidade” numa sociedade que ainda “mantém o preconceito”.
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, para os surdos, a Língua Gestual Portuguesa (LPG), cujo Dia Nacional se assinala hoje, não é encarada como uma ferramenta de apoio ao sistema educativo, mas sim como a sua “língua natural” e “própria”, que lhes permite “uma perspetiva diferente da sociedade e do mundo” e, por isso, devia “ter maior visibilidade”, conta, entre gestos, Joana Cottim, membro da direção da Associação de Surdos do Porto.
 

“O artigo está na Constituição mas a sua transição para a prática ainda não foi feita de forma totalmente satisfatória para a comunidade surda”, acrescenta.
 

São 21:30 de uma sexta-feira e no centro de convívio da associação, no Porto, onde o som das palavras é substituído pelos muitos gestos - e onde quem não vê é como quem não ouve - a conversa não é fácil e implica o recurso a uma intérprete, Isabel, que ora traduz as perguntas para Língua Gestual, ora verbaliza as respostas de Joana, 27 anos, surda desde os dois anos.
 

Estas “barreiras comunicacionais”, como lhes chama Joana, estão em todo o lado e a comunidade surda portuguesa, que engloba cerca de 80 mil cidadãos, acaba por não ter “acesso aos mesmos bens e serviços” que os ouvintes.
 

“Falta ainda estabelecer muitas pontes para o trabalho e para uma vida social normal”, assinala Joana Cottim para quem a LGP “devia ser oficial nas escolas” uma vez que “é uma língua oficial da comunidade surda” portuguesa.
 

Se na “comunidade ouvinte a percentagem de desemprego aumentou”, a comunidade surda é afetada “no dobro” pela crise, com “imensos surdos desempregados” e com a “maioria das ofertas de emprego” no país a serem “para call centers”, às quais “os surdos não podem concorrer”, ironizou.
 

Mas as saídas profissionais são as mais variadas possíveis, havendo “surdos arquitetos, a trabalhar na área do cinema ou licenciados em educação social”, sendo a surdez encarada até como uma “mais-valia” na medida em que “pode dar uma resposta à sociedade que ela precisa e ainda não descobriu”.
 

Apesar de tudo, para Joana Cottim “a sociedade mantém o preconceito” e os ouvintes “continuam a retrair-se um pouco” perante os surdos.
 

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