Associação ajuda mulheres com incontinência urinária

Projeto conta com fisioterapeutas e uroginecologistas

30 julho 2013
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As mulheres com incontinência urinária, um “problema escondido” e com grande prevalência no país e custos elevados, vão poder contar com o apoio da Associação da Mulher para a Saúde Uroginecológica.
 

A ideia desta associação, constituída por fisioterapeutas e uroginecologistas, que irá ser apresentada no dia 12 de setembro na Fundação Calouste Gulbenkian, partiu de Isabel Ramos de Almeida, precursora dos cursos de preparação para o parto na Maternidade Alfredo da Costa (MAC).
 

A fisioterapeuta esteve 24 anos na MAC e constatou que “a grande maioria das mulheres não tinha conhecimento sobre o grupo muscular do pavimento pélvico”, disse à agência Lusa a especialista.
 

Durante os cursos de preparação para o parto “as mulheres tomavam alguma atenção e ao falar-se destes músculos, treinavam-nos”. Mas na consulta de uroginecologia, que acompanha mulheres mais velhas inscritas para cirurgia, verificou-se que a situação era mais grave.
 

“Além de desconhecerem estes músculos, as mulheres desconheciam a importância de hábitos básicos”, como beber água, ou não andar sistematicamente com a bexiga cheia.
 

Para explicar estes “hábitos extremamente simples”, a fisioterapeuta começou a realizar ‘workshops’ gratuitos em que ensinava cuidados a ter quando, por exemplo, se pega em pesos, ao espirrar ou tossir.
 

“Passados dois, três meses, estas mulheres estavam melhores, nem necessitavam de ser operadas ou, pelo menos, havia um adiamento da cirurgia e uma grande melhoria das queixas”, contou.
 

A maior parte das mulheres e os clínicos conhecem mal os tratamentos de fisioterapia nesta área: “Andei 16 anos a tentar dar a conhecê-los, mas as pessoas não lhe dão valor e as cirurgias para a incontinência estão em grande plano”. Contudo, alerta, se não houver mudanças de hábitos de vida, dois ou três anos depois há recidivas das cirurgias.
 

“Está-se a entrar por um caminho caro, um caminho invasivo e que, às vezes, traz problemas pós-cirurgia”, quando “há um caminho muito mais fácil que é a educação para a saúde”, que, na sua opinião, tem falhado em Portugal.
 

A ideia da associação, sem fins lucrativos, surgiu para ajudar a colmatar essa falha. “O objetivo principal é divulgar, informar e educar para a saúde nesta área” e dar visibilidade a “um problema que as pessoas têm vergonha de falar e que é perfeitamente normal”, disse, lembrando que há 600 mil mulheres em Portugal com incontinência urinária.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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