Aspirina pode impedir cancro da mama?

Estudo publicado na revista “Laboratory Investigation”

16 junho 2015
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A toma diária de aspirina, um medicamento habitualmente utilizado para aliviar a dor e impedir a formação de coágulos sanguíneos, pode ajudar a impedir o desenvolvimento e a recorrência do cancro da mama, sugere um estudo publicado na revista “Laboratory Investigation”.


No cancro, quando o paciente é tratado, o tumor inicialmente vai diminuir. “O problema ocorre cinco a 10 anos mais tarde quando a doença torna a surgir”, referiu um dos autores do estudo, Sushanta Banerjee.


O investigador acrescentou que o cancro tem células estaminais, ou células residuais. Estas células já sobreviveram à quimioterapia ou a outro tratamento para o cancro e ficam dormentes até as condições no organismo ficarem mais favoráveis à sua reprodução. Quando reaparecem podem ser muito agressivas.


De forma a testar a teoria de que a aspirina era capaz de alterar a assinatura molecular nas células do cancro de forma a que estas não se disseminassem, os investigadores do Veterans Affairs Medical Center, nos EUA, utilizaram culturas de células do cancro da mama, bem como modelos de ratinho.


Numa primeira fase, os investigadores colocaram as células do cancro da mama em 96 placas de cultura, tendo-as exposto a diferentes concentrações de ácido acetilsalicílico ou aspirina. Verificou-se que a aspirina matou a maioria das células cancerígenas e as que não foram mortas foram incapazes de crescer.


Posteriormente, administraram a 10 ratinhos com tumor agressivo da mama uma dose diária de aspirina, ao longo de 15 dias. A dose recebida foi equivalente a 75mg em humanos, uma dose considerada baixa.


Ao fim de 15 dias, os investigadores constataram que o tamanho dos tumores dos ratinhos tratados com aspirina eram 47% mais pequenos do que aqueles que não tinham sido tratados.


De forma a demonstrar que a aspirina também podia prevenir o cancro, os investigadores administraram aspirina, durante 10 dias, a um grupo adicional de ratinhos, antes de os exporem a células do cancro da mama. Comparativamente com o grupo de controlo, os ratinhos que receberam aspirina apresentaram níveis mais baixos de crescimento cancerígeno.


"Constatámos que a aspirina fez com que células cancerígenas residuais perdessem as suas propriedades de autorrenovação. Basicamente, elas não foram capazes de crescer ou reproduzir-se, referiu Sushanta Banerjee.


“Assim poderíamos administrar a aspirina após a quimioterapia para prevenir recidivas e manter a pressão, a qual vimos que foi eficaz em cultura de células e no modelo animal, e podemos utilizá-la de uma forma preventiva”, conclui o investigador.


Apesar do tratamento ser prometedor, os investigadores referem que as pessoas devem conversar com os médicos antes de começarem a tomar uma dose diária de aspirina uma vez que este fármaco aumenta o risco de hemorragia gastrointestinal.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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