Aspirina: como atua?

Estudo publicado na “Science”

26 abril 2012
  |  Partilhar:

Investigadores da McMaster University, no Canadá, da University of Dundee, na Escócia e da University of Melbourne, na Austrália descobriram que o salicilato, o principio ativo da aspirina, aumenta a atividade de uma proteína, a AMPK, que tem um papel importante na regulação do crescimento e metabolismo celular, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.

 

O salicilato, que é proveniente da casca do salgueiro, é um dos fármacos mais antigos do mundo, com os primeiros relatos da sua utilização a surgirem em 1543 AC. Também  utilizada como anti-inflamatório, a aspirina é utilizada como analgésico há mais de um século e atualmente é também administrada, em baixas doses, aos indivíduos que se encontram em risco de enfarte agudo do miocárdio, assim como pacientes com doença vascular.

 

Estudos anteriores tinham constatado que a AMPK (AMP-activated protein kinase) era ativada pela prática do exercício físico e por um fármaco habitualmente utilizado no tratamento da diabetes, a metformina. Neste estudo, os investigadores  constataram que ao contrário do exercício físico e da metformina, que aumentam a atividade desta proteína através da alteração do equilíbrio energético celular, o efeito do salicilato é completamente dependente de um único amino ácido que está presente na subunidade beta 1 da AMPK.

 

“Mostrámos que o salicilato queima a gordura e reduz o tecido adiposo, o que não ocorre nos ratinhos geneticamente modificados que não apresentavam a subunidade beta 1 de AMPK”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Greg Steinberg.

 

Estes resultados são muito importantes dado que há atualmente vários ensaios clínicos em curso que estão a testar se o salsalato, um derivado da aspirina, pode ajudar a impedir o desenvolvimento da diabetes tipo 2.

 

No passado mês a revista científica “The Lancet” publicou três artigos que davam conta que a toma diária de aspirina poderia reduzir, significativamente, o risco de desenvolvimento de vários cancros e impedir a disseminação de tumores. Contudo, ainda não tinha ficado claro como é que este efeito anticancerígeno poderia ocorrer.

 

Por outro lado, como têm surgido vários estudos que indicam que a metformina poderá ter um papel importante na prevenção do cancro, os autores deste estudo sugerem que a aspirina poderá ter umpapel semelhante. No entanto, serão necessários mais estudos, pois as concentrações de salicilato utilizadas no presente estudo foram maiores do que aquelas testadas em ensaios clínicos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.