Aspirina aumenta a sobrevivência ao cancro gastrointestinal

Estudo apresentado no Congresso Europeu do Cancro

02 outubro 2015
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A aspirina aumenta a sobrevivência dos indivíduos com cancro gastrointestinal, defende um estudo apresentado no Congresso Europeu do Cancro 2015.
 
Neste estudo os investigadores do Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, decidiram analisar o impacto da toma da aspirina na sobrevivência dos pacientes com tumores no trato gastrointestinal, nomeadamente reto, cólon e esófago.
 
O estudo incluiu a participação de 13.715 pacientes que foram diagnosticados com cancro gastrointestinal entre 1998 e 2011 e acompanhados ao longo de uma média de 48,6 meses. Destes pacientes 42,8% tinha cancro do cólon, 25,4% cancro do reto e 10,2% cancro do esófago. De forma a determinar o impacto da aspirina após o diagnóstico de cancro, os investigadores relacionaram os dados dos pacientes com informação relativa à dispensa de fármacos obtida através do Instituto PHARMO.
 
O estudo apurou que 30,5% dos pacientes com cancro tomaram aspirina antes do diagnóstico, 8,3% apenas tomaram aspirina após o diagnóstico e 61,1% não tomaram este medicamento. Verificou-se que 28% dos pacientes sobreviveram pelo menos cinco anos. 
 
Os investigadores verificaram que, comparativamente com os pacientes que tomaram aspirina antes do diagnóstico de cancro e aqueles que não tomaram medicação, os pacientes que tomaram aspirina após o diagnóstico tinham uma possibilidade de sobrevivência duas vezes mais elevada. 
 
Estes resultados mantiveram-se inalterados mesmo após os investigadores terem tido em conta fatores que poderiam influenciar os resultados, como idade, sexo, estadio do cancro, tratamento do cancro e presença de outras condições médicas.
 
Apesar de o mecanismo responsável pelo efeito anticancerígeno da aspirina não ser claro, os investigadores sugerem que pode ser devido às propriedades antiplaquetárias da aspirina. Acredita-se que as células tumorais em circulação utilizem as plaquetas como forma de se esconderem do sistema imunológico. Uma vez que a aspirina bloqueia a função das plaquetas, tal pode permitir que o sistema imunológico reconheça as células tumorais em circulação e as elimine.
 
Apesar da dosagem ideal, duração da toma e efeito no cancro gastrointestinal necessitarem de uma análise mais detalhada em estudos futuros, os investigadores acreditam ter descoberto uma possível opção de tratamento que poderá chegar a um grande número de pacientes.
 
Uma vez que a aspirina é um medicamento barato, sem necessidade de ser patenteado e com poucos efeitos colaterais, poderá ter um grande impacto nos sistemas de cuidados de saúde, bem como nos pacientes ", conclui um dos autores do estudo, Martine Frouws.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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