Aspirina associada ao risco de hemorragias

Estudo publicado na revista “JAMA”

11 junho 2012
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A toma diária de aspirina de baixa dosagem está associada a um maior risco de hemorragia gastrointestinal e cerebral, dá conta um estudo publicado na revista “JAMA”.

 

A aspirina de baixa dosagem é utilizada no tratamento de doenças cardiovasculares. Adicionalmente, este medicamento é recomendado como medida preventiva secundária para os indivíduos com risco, moderado a alto, de sofrer de eventos cardiovasculares.

 

Estudos anteriores já tinham revelado que a toma de aspirina de baixa dosagem estava associada a complicações hemorrágicas gastrointestinais e intracranianas, apesar dos ensaios clínicos terem sugerido que estes riscos seriam relativamente pequenos. Contudo, os autores deste estudo referem que este tipo de ensaios avaliou um grupo de pessoas selecionadas que não são, necessariamente,  representativas da população.

 

Adicionalmente, a aspirina de baixa dosagem é também recomendada aos diabéticos. Porém um estudo anterior sugeriu que esta poderia aumentar o risco de hemorragia extracraniana. Mas, segundo os investigadores do atual estudo, ainda não está claro qual o efeito da aspirina nos indivíduos que sofrem desta doença.

 

Neste estudo, os investigadores do Consorzio Mario Negri Sud, em Itália, decidiram averiguar a incidência de episódios hemorrágicos gastrointestinais e intracranianos em indivíduos com e sem diabetes que tomavam aspirina.

 

O estudo, que contou com a participação de 186.425 indivíduos que estavam a ser submetidos ao tratamento com aspirina de baixa dosagem e com 186.425 indivíduos que fizeram parte do grupo de controlo, apurou que ao longo de seis anos foram observados 6.907 e 2.464 episódios de hemorragias gastrointestinais e intracranianas, respetivamente, os quais necessitaram de hospitalização.

 

Os investigadores observaram que a toma de aspirina estava associada com um aumento de 55% e 54% do risco de hemorragia gastrointestinal e intracraniana, respetivamente. De acordo com os autores do estudo, o número de eventos associados à toma de aspirina era da mesma ordem de grandeza do número de eventos cardiovasculares evitados por este fármaco, em indivíduos com um risco a 10 anos de entre 10 a 20%.

 

Os investigadores, liderados por Antonio Nicolucci, também verificaram que a aspirina estava associada com um maior risco de hemorragia em todos os subgrupos analisados, menos nos indivíduos com diabetes. Esta doença estava associada, de forma independente, com um risco de 36% maior de episódios de hemorragia, os quais eram independentes da toma de aspirina.

 

“O nosso estudo mostra, pela primeira vez, que a toma de aspirina apenas aumenta marginalmente o risco de hemorragia nos diabéticos”, revelaram, em comunicado de imprensa os autores do estudo acrescentando que “estes resultados podem ser considerados como uma evidência indireta de que a eficácia da aspirina na supressão da função das plaquetas é reduzida neste tipo de população.”

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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