Asmáticos correm mais riscos de contrair cancro do pulmão
03 janeiro 2002
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Os asmáticos correm mais riscos de contrair cancro do pulmão, confirma um estudo realizado em mais de 90.000 pessoas e divulgado na edição de Janeiro do Jornal Europeu de Pneumologia (ERJ).
 

 

O estudo foi realizado pelo Centro Internacional de investigação sobre o cancro (CIRC/IARC), agência da Organização Mundial de Saúde (OMS) sedeada em Lyon, em colaboração com o Instituto Karolinska de Estocolmo e a Universidade de Uppsala (Suécia), com base em 92.986 pessoas identificadas a partir dos registos de saúde nacionais suecos.
 

 

Estudos anteriores já sugeriam a existência de uma ligação entre a asma e o cancro do pulmão.
 

 

No entanto, estes trabalhos baseavam-se apenas na memória dos doentes atingidos por cancro e interrogados sobre a sua história clínica passada.
 

 

O estudo do CIRC (realizado entre 1965 e 1994) apresenta a vantagem de ser prospectivo, baseando-se no acompanhamento médico das pessoas durante várias décadas.
 

 

"Durante um período de 30 anos procurámos identificar as pessoas que tinham sido hospitalizadas na Suécia às quais tinha sido diagnosticada asma", explicou Paolo Boffetta, investigador do CIRC.
 

 

Os resultados do estudo indicam que os asmáticos são mais atingidos pelo cancro do pulmão do que a população em geral: nos indivíduos analisados foram detectados 713 cancros, ou seja mais 58 por cento do que na população em geral.
 

 

Mulheres em risco
 

 

O risco é ainda maior para as mulheres asmáticas, com um excesso de risco de 78 por cento contra 51 por cento nos homens.
 

 

"Não sabemos ainda se é verdadeiramente a asma que está na origem do aumento do risco", sublinhou Paolo Boffetta.
 

 

O investigador não afasta a possibilidade de que um mecanismo comum esteja na origem tanto da asma como do cancro do pulmão, como, por exemplo, uma inflamação crónica responsável pela produção de um excesso de radicais livres, substâncias susceptíveis de danificar o material genético e contribuir para o desenvolvimento do processo canceroso.
 

 

Segundo Boffetta, a existência de um factor de susceptibilidade comum à asma e ao cancro pode ser uma explicação para os resultados do estudo, ou mesmo a intervenção de um factor externo, como o tabaco, que contribuiria para o desencadear ou a progressão de ambas as doenças.
 

 

De acordo com os autores, a continuação do estudo junto dos doentes mais jovens, nomeadamente fumadores, vai permitir esclarecer este efeito da asma.
 

 

Fonte: Lusa
 

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